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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Toponímia Freamundense

 RUA PADRE CASTRO
A Rua Padre Castro situa-se no Lugar de Xistos, liga a Rua do Comércio à confluência das ruas de Matos / Pessô, Rua Nova de Abrute e Avenida da Quinta do Monte.
PADRE CASTRO
Esta rua homenageia Padre Castro, industrial, defensor por múltiplas formas dos interesses de Freamunde e autêntico suporte de algumas das suas mais importantes instituições em épocas de crise económica e social.
O nome desta rua foi uma proposta da Comissão de Toponímica nomeada e aceite por deliberação da Junta de Freguesia em sessão extraordinária de 13 de Maio de 1983.
Pra ficar a conhecer melhor o homenageado desta rua, visite o blogue "Freamunde: Factos e Figuras", da autoria do freamundense Joaquim Pinto.
Acto da inauguração da Rua Padre Castro, pelo seu sobrinho, Dr. Acácio, no dia 11 de Junho de 1983.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Padre Castro

PADRE CASTRO
 PADRE CASTRO (ANTÓNIO ALVES PEREIRA DE CASTRO)
(5 - 12 - 1894 / 2 - 5 - 1949)
Em meados de 2009, indicaram-me o Dr. José Pinto, entretanto falecido, morador, então, na Travessa do Padrão, em Sobrosa, que me revelou peripécias, muitas delas inseridas no livro por si editado, intitulado "Sobrosa - História e Património", sobre os ascendentes do Padre Castro.
« (...) Natural de Freamunde, Bernardino Pereira veio casar à casa da Boavista, Sobrosa, em 22 de Novembro de 1868, com Bernarda Alves Moreira, filha de Manuel Alves Moreira e de Maria Coelho Duarte, que, possivelmente, estariam na origem da construção da Casa da Boavista, em 1775, data que se encontra gravada no pedestal da cruz que ornamenta, juntamente com duas pirâmides laterais, a sua entrada principal.
Bernardino e Bernarda, já de meia-idade, por alturas do seu casamento - ele com 42 anos e ela com 41 -, não tiveram filhos, pelo que fizeram uma doação da Casa da Boavista a seu sobrinho, José Alves Moreira, mas, como usufrutuário, com certas reservas e condições: "Declararam os doadores que, se o doado fizesse casamento segundo aprovação deles, nesse caso, lhe cederiam no acto de tal casamento, o usufruto dos bens da Casa da Boavista e do Paço, que estavam sendo fabricados pelo caseiro, António Caetano..."
José Alves Moreira veio a casar, em 25 de Outubro de 1883, com Maria Francisca Gomes Pereira, natural da freguesia de Eiriz, Paços de Ferreira, que trouxe, como dote, três contos de réis que lhe foram dados por um tio que, ao tempo, vivia no Brasil.
Com a aprovação dos doadores, a Cada da Boavista passou a ser habitada pelo jovem casal, com o usufruto das suas pertenças, conforme o teor da doação.
CASA DA BOAVISTA
Como era habitual na época e dada a juventude do casal, ele com 25 anos e ela com 20, os filhos não se fizeram esperar, atingindo o número de dez».
Entre eles, o "nosso" António, quinto a vir ao mundo, depois de Joaquim, Fortunato, Felícia e Luzia, e antes de Mariana, Manuela, Cândida, Ana e Acácio.
António frequentou os primeiros estudos na Escola Primária de Sobrosa, sob orientação do professor oficial, Jacinto Ferreira Leal que marcou, pela sua competência, as crianças do seu tempo.
António Alves Pereira (de Castro) viria a ordenar-se sacerdote, tendo, primeiramente, desempenhado as funções de professor de matemática no Seminário dos Carvalhos, V.N. Gaia, onde leccionou durante alguns anos.
Seguiu-se a actividade pastoral, como coadjutor em Matosinhos, depois como pároco nas freguesias de S. Paio de Casais e Nespereira, do concelho de Lousada.
Este pastor espiritual, igualmente vocacionado para a indústria, foi, na "Fábrica Grande" (Albino de Matos, Pereiras & Barros, Ldª), um dos grandes impulsionadores do ramo mobiliário. Os tempos, dificílimos, não empolgavam mas eram propícios aos bons investimentos. Estávamos em 1923, período de grande desenvolvimento industrial. Dos 27 sócios, pertencia-lhe a quota de 68.000$00, correspondente a 9,7% do capital social, elevado para 700.000$00.
Inicia então uma rápida e calculada marcha para o controlo total da empresa. Como? Por mérito próprio, escudado na sua indiscutível competência laboral, da visão sobre questões económicas, por um conjunto de condições favoráveis.
Não era a Fábrica que crescia em todas as vertentes sectoriais: mobiliário escolar e hospitalar, marcenaria, serralharia, moagem, latoaria, carvoaria, serração, vidraria, colchoaria, drogaria...
Perfil empreendedor, dinâmico e sagaz, fixou os seus operários (chegaram a ser mais de 300, entre homens e rapazes, vindos de todos os lados, com manifesta falta de formação profissional, gente maioritariamente analfabeta não qualificada, recém chegada do campo ou a ele ligado, que aproveitava o Domingo - sim, Domingo, porque ao Sábado também se trabalhava. A semana "à inglesa" ainda não tinha chegado -, para os "biscates", noite dentro muitas vezes, de tamanqueiro, pauseiro, jornaleiro..., o que calhasse) em redor da unidade industrial, construindo cantina com quartos onde alojava técnicos especializados, oriundos de outros concelhos (Porto, Vila Nova de Gaia, Felgueiras, sobretudo da freguesia da Longra...), refeitório e um clube desportivo, "Os Onze Vermelhos", que daria mais tarde origem ao Freamunde Sport Clube. Um "Alfredo da Silva" em ponto pequeno!
OS "ONZE VERMELHOS"
De média estatura, p'ró gordo, muito (então aquela barriga bojuda!), não valia a pena persistir em organizar prescrições alimentares. Não. O que era posto à sua frente ia tudo! Um verdadeiro triturador de comida - os nacos vermelhinhos de presunto eram a sua perdição! -, capaz de fazer um suculento capão parecer um vulgar pintainho. É de crer, mesmo, que comia de pé pois não teria cadeiras com assento adequado ao seu traseiro.
Fumador inveterado, quase sempre vestido de escuro à padre de antanho, era um homem fantástico, com uma energia inesgotável, viciado em trabalho e que fazia dessa vocação o seu estilo de vida. Falava sem esforço mas exprimia-se... "axim".
Mais adjectivos para o qualificar?! Inteligente, filantropo, raposão, de humor fácil e corrosivo, vaidoso - perfumava-se constantemente... Mas forreta quanto baste.
Referindo várias fontes (antigos empregados, que comeram o pão que o diabo amassou, alguns com mais de oitenta, noventa anos, tentando fintar a morte, são a nossa memória viva. Este ou aquele já pouco recorda, outros têm os pensamentos cansados, confusos, distantes mas nostálgicos... Também há os que não querem sequer ouvir falar desses tempos), o padre Castro, para evitar aumentos - de longe a longe lá vinha mais um "centavo" e viva o velho! -, "jogava" com hipotéticos despedimentos. Como a procura era superior à oferta devido à escassez de agentes empregadores no sector industrial, o remédio era aceitar, sem levantar cabelo, o ordenado que lhes davam (em 1938, 14$00 por dia, em média), números baixos, mas que mesmo assim aliciavam muitos operários que fizeram da "Fábrica Grande" o local de uma vida no "mundo" do trabalho, abdicando de tudo: liberdade, cultura e descanso.
Tempos em que proliferava a mão de obra infantil; os meninos, que representavam uma percentagem impressionante da força de trabalho industrial, logo que saíam da escola (os que haviam frequentado a escola), iam laborar para a Fábrica - fugiam, como "ratos", sempre que apareciam os "fiscais". Só era permitido trabalhar, 8 horas por dia, com 12 (!) anos feitos (D.L. nº 24402 de 24/8/1934). Fosse como fosse, os "tostões" que caíam ajudavam, e muito, ao sustento de vários lares, onde imperava uma miséria franciscana. Era a verdade nua e crua.
Exigente, também. Era capaz de se misturar com o operariado, de contar anedotas, mas duro e frio nos juízos, firme e implacável na disciplina. Encarnava o chefe como figura autoritária. Indivíduo que não se deixava guiar demasiado pelas emoções. Diz, quem com ele privou e trabalhou, que nem ao melhor amigo perdoava entradas tardias, logo que o canudo chamava para a luta pelo pão. Minuto que fosse. Lá ia meio dia para o "galheiro"! Não havia tempo, sequer, para trincar a bucha. Flexibilidade era adjectivo que não fazia parte do seu dicionário
Mas foi assim - outras épocas! - que a indústria do mobiliário prosperou e o nome de Freamunde correu mundo, com proveito, desenvolvimento e nível social e económico.
A "ALBAR", assim também conhecida, com depósitos no Porto, Vila Real, Mirandela, Águeda, Leiria e Lisboa, mobilou as principais escolas e liceus do país e colónias, sendo premiada nas Exposições da Palácio de Cristal (1º prémio) e do Rio de Janeiro (Grande prémio).
Acérrimo defensor dos interesses freamundenses, o padre Castro foi suporte generoso de algumas instituições locais, em notória crise (a Banda de Música, por exemplo), a quem emprestava amiúde dinheiro, mesmo cobrando taxa de juro à razão de 8% ao ano. 
Influente em todos os sectores da vida pública, tinha o "mundo" nas mãos. Não viveu muito tempo - morreu com 54 anos, na força da idade, por volta das 6 horas da manhã do dia 2 de Maio de 1949, na sua casa de Vilar, vítima de pneumonia -, mas... atravessou duas guerras mundiais. Foi a sepultar no cemitério de Sobrosa, de onde era natural, constituindo o seu funeral uma enorme manifestação de pesar. 
De grande reconhecimento público, homem de convicções graníticas e de uma personalidade que o levou a semear alguns inimigos mas também uma legião de admiradores, com uma vida assinalada por alguns episódios que o colocaram em posição nebulosa (ainda hoje o seu bom nome é motivo de alguma controvérsia), ficará, contudo, eternamente na nossa recordação, na nossa memória.
O Clube de Futebol, os Bombeiros Voluntários, o Museu do Móvel, uma avenida com o seu nome (Começa na Rua Prof. Albino de Matos e acaba na Rua Nova de Abrute), estão entre as marcas que o tempo jamais apagará.
DESCERRAMENTO DA PLACA, QUE DEU O NOME À AVENIDA, PELO SOBRINHO, DR. ACÁCIO
JOAQUIM PINTO - BLOG "FREAMUNDE: FACTOS E FIGURAS"

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

São Salvador de Freamunde ( II )

ESCOLA DE MÚSICA
Freamunde é hoje uma imagem progressiva do concelho de Paços de Ferreira. Há cinquenta e poucos anos, podiam ler-se ainda referências à indústria de lacticínios e a outras pequenas indústrias de mobiliário escolar, olaria, tamancaria, marcenaria, serrações de madeira e manufacturas de fusos com oficinas de serralharia. Em 1920,dá-se conta da instalação em casa própria, na Rua do Comércio, da nova oficina de mobiliário e material escolar e fábrica de moagem sob a firma Pereiras, Barros & Companhia, Lda. , e outra também de mobiliário e material escolar da firma Albino de Matos Sucessores, Lda. Parece assim certo que em Freamunde se deu o primeiro impulso à indústria que hoje caracteriza o concelho, ainda assim acompanhado pela criação de outras indústrias do sector têxtil e metalomecânico.
GRUPO TEATRAL FREAMUNDENSE
Freamunde é uma freguesia bem equipada ao nível escolar e da formação profissional. Uma referência ao associativismo, criativo e bairrista, da sua população, que em quase todos os sectores de actividade social se manifesta.
Citemos, por exemplo, uma curiosa Associação de Socorros Mútuos, bem enraizada na vida local. É uma espécie de previdência gerida para e por freamundenses. No afã de angariar fundos para esta associação, germinou o gosto pelo teatro em Freamunde. Primeiro, nas festas organizadas por Alexandrino Chaves, aí pelo início do século, depois, na década de quarenta, com Leopoldo Pontes e, mais recentemente, a partir de 1963, com a fundação do Grupo Teatral Freamundense. O teatro deve já ao G. T. F. uma enorme contribuição artística, com a encenação de alta qualidade cénica de muitos actores nacionais e estrangeiros.
Refira-se, porque importantes para o conhecimento da etnografia local, as representações regulares da peça de Fernando Santos, timoneiro do teatro em Freamunde. De sua autoria, representa-se de tempos a tempos uma notável opereta, "Gandarela", cujos trabalhos de raíz e força popular mostram «coisas que o mundo tem, que, sendo do mundo, são também um pouco de todos nós...».
GENTE DE FREAMUNDE REPRESENTANDO A DANÇA DOS PEDREIROS
Mas o associativismo passa por outros grupos de igual dinâmica: a Associação de Artes e Letras de Freamunde (1931), com as suas exposições de pintura e escultura (ou não fora o pintor Carlos Taipa um dos seus fundadores); a Associação Juvenil "Ao Futuro" (1990); o Clube de Pesca e Caça (1976); o Clube Recreativo Freamundense; a Sociedade Columbófila de Freamunde (1938); e o Sport Clube de Freamunde (1933) são outras tantas instituições que dentro e fora da freguesia a dignificam pelo seu labor.
Uma palavra para a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Vila de Freamunde, nascidos em 1930 e com um corpo de 78 abnegados soldados da paz.
E outra muito especial para a Associação Musical de Freamunde, que aos 172 anos de idade continua pujante. Tão pujante como a Escola Infantil de Música que gerou e acarinha como canteiro de músicos.
Em Freamunde nasceu, no princípio do século, o padre Francisco Peixoto, investigador e publicista de muito mérito.
O título de Vila (1933) deve-o Freamunde principalmente a Arnaldo Brito, pessoa que muito fez por modernizar a freguesia.
Outro notável  foi o Dr. Alberto Cruz, clínico de renome, liberal e deputado da República. Faleceu em 1956.
Singular é a figura do padre António Alves Pereira de Castro (Padre Castro), um pastor de almas que soube arranjar tempo para criar e desenvolver uma notável indústria de mobiliário.
O Dr. José Baptista Barreiros (1893-1965) foi um ilustre investigador e literato, a quem se devem trabalhos sérios sobre a ocupação sueva do concelho.
Em 1910, o Prof. Albino de Matos investiu a sua experiência pedagógica na indústria do mobiliário escolar (as célebres carteiras com tampo semiarticulado, contadores digitais, caixas métricas, colecção de sólidos, etc.). Um pioneiro.
(CONTINUA)
 "PAÇOS DE FERREIRA - HISTÓRIA PARA UM GUERREIRO" - 1994

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Sport Clube de Freamunde - Vida e Glória ( I )

 OS PRIMÓRDIOS ( 1933 - 1941 )
"DO LARGO DA FEIRA AO CARVALHAL"
Nos primórdios da década de trinta, e porque a necessidade aguçava o engenho, qualquer espaço servia para o pontapé nos "trapos", fosse na rua ou em terreno baldio.
LARGO DA FEIRA
O Largo da Feira era quase sempre o palco predilecto dos pequenos garotos que com frequência quebravam os vidros das janelas das casas contíguas à Praça Pública.
É curioso que ninguém ousava reclamar os prejuízos causados pelas boladas, mas, por vezes, a vizinhança torcia o nariz face ao incómodo provocado.
Ali se jogava de manhá à noite. Aos domingos, principalmente, depois da missa, os aficionados cercavam o largo para apreciarem a habilidade da pequenada a suar as estopinhas, de pingo de nariz, com as calças arregaçadas até aos joelhos, a roupa totalmente colada ao corpo e as botas - quem as tinha - a pedir remendos pois as "topadas" eram muitas e as árvores apenas ajudavam a ensaiar a finta.
As velhas bolas trapeiras ricocheteavam. Baiam nas paredes. Nas portas da tasca das "Elvirinhas". Iam e voltavam. Toda a miudagem chutava. De repente, a alegria do jogo. Golo!...Golo!...Golo!...Abraçava-se a garotada, toda, com alegria. Cá fora batia-se palmas. Até o abade.
CAMPO DO CARVALHAL
 O PIONEIRISMO
Querendo premiar os dotes futebolísticos dos jovens desportistas e aliciado pela emoção desse jogo, o carismático Padre Castro - figura proeminente pela sua generosidade e inteligência ao serviço das instituições locais, personalidade possuidora de enorme fluência e que tudo fazia, como na vida, com raça, com imaginação, com sabedoria -, conhecedor que o futebol atraía o operariado e a juventude, auxiliado pelo Dr. António Chaves, Armando Oliveira, Alexandrino Cruz, Francisco Carneiro e outros, resolve dar voz ao seu instinto cristão e fazer alguma coisa pelos filhos da comunidade freamundense, tomando a seu cargo o plano organizativo para a constituição de um grupo de futebol, pois nas redondezas já havia clubes similares.
PADRE CASTRO
O Padre Castro, que também paroquiou S. Paio Casais / Lousada e leccionou como professor de matemática no Seminário dos Carvalhos / Vila Nova de Gaia, deixou-nos bem cedo mas viverá eternamente na saudade de todos e enquanto existir o Clube a que ele votou a sua existência.
Dos fundadores, os entusiastas de então, não é possível ter a certeza de quantos e quais foram, não só pelo tempo já decorrido, mas sobretudo pela ausência e displicência no registo de acontecimentos que poderiam vir a tornar-se, em termos históricos, de vital importância.
Foram, no entanto - e disso não nos resta a menor dúvida - pessoas que o Clube da maneira mais pura e sempre ligados de alma e coração ao seu querido emblema, identificados apenas e só com a bandeira azul e branca.
Mas nem só de boas vontades e amizades o futuro da Agremiação poderia estar alicerçado; por um lado, uma coisa era organizar treinos e jogos de futebol, outra fomentar a actividade, com algumas condições de higiene, mesmo em espaço alugado. Tarefa prioritária, portanto.
A dois "palmos" de distância do centro da povoação existia um terreno que dava na perfeição para erguer um campo onde fosse possível praticar futebol.
Feitas as necessárias diligências, as dificuldades foram inicialmente ultrapassadas com o arrendamento destas terras pertencentes ao Dr. António Corrêa Teixeira Vasconcelos Portocarrero por uma importância compatível com as possibilidades do Clube.
ARMANDO OLIVEIRA
Depois, utilizando mão de obra voluntária - rostos invisíveis, anónimos, que trabalharam intensamente sem que os motivasse qualquer interesse material, fazendo uso dos seus instrumentos de ofício, pás, alviões, picaretas, manejados com toda a eficiência e denodo - o rectângulo de jogo ganhava contornos.
Os trabalhos tomaram de início um ritmo acelerado, de tal forma que, em pouco mais de seis meses, o campo foi dado como pronto.
Pelos documentos disponíveis, não terá havido futebol, ou melhor, competições externas com outros clubes, antes de 1932.
A primeira referência é de Maio desse mesmo ano e relata-nos um encontro entre o Lagoense F. C. e o Foot Ball C. Freamundense, saindo vencedor este último por um concludente 7 - 0.
De tralha aos ombros, botas a tiracolo, gorro ou chapéu na cabeça, fato domingueiro - todos, portanto, bem encanados - lá iam os atletas, cantando e rindo, indiferentes aos quilómetros, percorrendo a pé até povoações circunvizinhas (Covas, Sobrosa, Lagoas, Paços "Rotunda"...) para defrontarem os adversários em renhidos confrontos.

ANTÓNIO FILIPE
Nestes tempos os equipamentos - quando existiam - quase não tinham modelo nem cores bem definidas. António Filipe, sapateiro de profissão com pequeno aposento na Praça, era um dos principais entusiastas, guardando as rudimentares camisolas, consertando ainda, de forma gratuita, as botas (?) existentes. Sem um organismo tipo Associação, os grupos desafiavam-se, jogavam e depois vinha a desforra. Ninguém repudiava sacrifícios, corria-se por gosto.
Não havia lugar para guardarem a roupa, muito menos a existência de água quente para se lavarem, como é lógico. Por isso recorriam a poços existentes nas mediações dos campos de jogo, de onde alguns assistentes retiravam a água com um balde, despejando-a depois pela cabeça abaixo dos heróicos pontapeadores de couro.
Não fazia diferença o tamanho do espaço ou o comportamento do público.
Os jogos não contavam para nenhuma classificação, vivendo-se, por um só dia, as vitórias ou as derrotas. Ganhar era apenas, e só, um prazer do espírito.
Em Março de 1933, disputou-se em Lousada um jogo de classe infantil.O mwesmo não chegaria a terminar porque um miúdo da equipa da casa sofreu fractura de uma perna.
JOAQUIM PINTO - "SPORT CLUBE DE FREAMUNDE - VIDA E GLÓRIA" - 2008

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Pedaços de Nós

HISTÓRIAS DO PADRE CASTRO

O Padre Castro media
uns três metros e noventa
de barriga e já não via,
há anos, a ferramenta

Um dia estava a "mijar"
e um rapazito atrevido,
pôs-se do lado a espreitar
aquele monstro esculpido.

Mas ele olho perspicaz
foi perguntar ao rapaz:
- Tu viste-me o "realejo"?!

- Vi. - Pega então dez "paus", pá
e diz-me como ele está
que há muito tempo que não o vejo!

"Pedaços de Nós - Poesia Ilustrada" - Julho de 2001

sábado, 12 de maio de 2007

O nascimento do S.C.Freamunde


No início da década de 1930 qualquer espaço servia para dar uns pontapés na bola,fosse na rua ou em terreno baldio.
O Largo da Feira era quase sempre o palco predilecto dos pequenos garotos que com frequência quebravam os vidros das janelas das casas perto da Praça Pública.Ninguém ousava reclamar os prejuízos causados pelas bolas,mas por vezes a vizinhança reclamava.
Jogava-se à bola de manhã à noite!
Aos domingos,depois da missa,os aficcionados juntavam-se no Largo para assistirem aos jogos que as crianças realizavam.Era uma alegria quando alguém marcava golo!!Os curiosos batiam palmas...até o Abade!
O carismático Padre Castro - figura generosa e inteligente ao serviço das instituições locais,que tudo fazia,como na vida,com raça,com imaginação,com sabedoria,conhecedor que que o futebol atraía o operariado e a juventude,auxiliado pelo Dr. António Chaves,Armando Oliveira,Alexandrino Cruz e Francisco Carneiro,resolve fazer alguma coisa pelos filhos da Comunidade Freamundense,tomando a seu cargo o plano organizativo para a constituição de um grupo de futebol,pois nas redondezas já havia clubes similares.
O Padre Castro deixou-nos bem cedo mas viverá eternamente na saudade de todos e enquanto existir o clube a que ele votou a sua existência.
Era preciso encontrar um local para fomentar a actividade futebolistica,com algumas condições de higiene,era uma tarefa prioritária.A algumas dezenas de metros de distância do centro da povoação existia um terreno, dava na perfeição para erguer um campo onde fosse possível praticar futebol.Esse local era o lugar do Carvalhal.
Feitas as necessárias diligências e ultrapassadas as dificuldades,em pouco mais de seis meses nascia o Campo do Carvalhal.
Em 19 de Março de 1933 era fundado o Freamunde Sport Clube.
As cores originais do equipamento do clube eram o vermelho e branco.
Os primeiros atletas do clube eram chamados de "Onze Vermelhos".
A primeira equipa do Freamunde:Adelino"Claudina",António"Bica",Joaquim Pinto,Moreirinha,António"Careca",Neca"Couta",Juca"Careca",Zé"Careca,Zé"Bica",Alberto"Botas,Cândido Pinheiro,Arnaldo Pinheiro.
Inicialmente o emblema do clube era uma estrela com cinco vértices.
Em Novembro de 1935 é extinta a denominada Liga Invicta e o Freamunde Sport Clube filia-se na Associação de Futebol do Porto,preparando-se para entrar no Campeonato da Promoção.
A partir dessa altura o azul passaria a ser a referência predominante do seu equipamento,tonalidades que até hoje perduram.Também muda o emblema do clube para a estrela de seis vértices,"sósia" da Estrela de David.
À época 1938/1939 era o Presidente da Agremiação Ernesto Gomes Taipa.No comando técnico estava António Aloísio Correia.
Em 1939 rebentava a Segunda Guerra Mundial.O futebol em Freamunde,como em toda a Europa,atravessava uma grave crise.Portugal,que tinha optado pela neutralidade no conflito,nem por isso deixou de sentir os nefastos efeitos desse acontecimento devastador.
Findo o conflito,o futebol regressou à actvidade normal até aos dias de hoje.

Homenagem ao Padre Castro,o Fundador.

Fonte: Colecção de fascículos do Sport Clube de Freamunde.