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terça-feira, 10 de março de 2020

Poesia de Freamundenses

MULHER DE ONTEM E DE HOJE

Tu, mulher que tanto sofrias
De noite não dormias
Sempre a pensar na má sorte...
Se não fosse pelos filhos
Que às vezes são impecilhos
Tu preferias a morte.

Levavas por tudo e por nada
Não te davam o valor
Faziam de ti escrava
O teu corpo era um tambor.

Pobre de ti, ó mulher
Que em silêncio e segredo
Não lutavas em protesto
Dentro de ti estava o medo.

Ainda bem, tudo mudou
Tu, mulher de agora
Fuma, refila, luta
Chama-lhe "filho da puta".

Não o deixes avançar
Nem que te levante a mão
Impõem-te, dá-te ao respeito
Não o deixes ser machão
Pois tens o mesmo direito.

MARIA AUGUSTA - 8 DE MARÇO DE 2002

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Gente da Nossa Terra

 JOÃOZINHO CORREIA

Joãozinho do Venturinha
é um historiador que eu gosto.
Pra falar da terra minha,
nunca noutro eu aposto.

Não há canto, nem recanto,
que o Joãozinho não conheça
e há sempre mais um encanto
que ele lá lhe reconheça.

E então na matemática
é que ele tem uma tática...
pra guardar as moedinhas!

Principalmente as de reis
que, já não ditando leis,
ensinam-lhe as ladainhas!

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Poesia de Freamundenses

PRISÃO DA BORBOLETA

Cacei uma borboleta,
Metia-a num frasco,
De côr amarela e preta
E fui p'ra ela carrasco.

Depois de muio saltar
E com a tampa fechada
Acabou por se cansar
E cair inanimada.

Suas asas amarelas,
Cairam sem força ou vida
E eu fiquei a olhá-la
E comigo ofendida.

Com o ar novo e fresco,
Ela esvoaçou e mexeu,
E dentro de mim a esperança
De nova vida nasceu.

Prometi para mim mesma
Não fazer nada parecido
E nunca tirar a vida
A um ser que tenha nascido.

FERNANDINHA FELGUEIRAS - "FREAMUNDE E O SENTIMENTO POPULAR"

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

A sina dum revoltado

BILHETE DE IDENTIDADE

Um cravo vermelho ao peito
dá respeito a qualquer um,
mas quem lhe perde o respeito
nem com ele tem nenhum.

O novo rico perdeu
o que de mais rico tinha,
apenas porque esqueceu
da família que provinha.

O pé descalço calçado
nem por muito calejado
se vê na origem do pé.

Só porque já tem sapato,
abre a boca ao desbarato,
sem deixar de ser quem é.

RODELA - "A SINA DUM REVOLTADO"

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

A sina dum revoltado

PÕE-TE À TABELA MANEL

Põe-te à tabela Manel:
a PIDE deu um suspiro
e o bufa do Coronel
voltou a fazer o giro.

Quer passasse por passar
ou só p'ra gastar papel,
é sempre de duvidar...
põe-te à tabela Manel.

Vai passando o testemunho
a quem saúdas de punho
e a quem mais te for fiel,

não te deixes enrolar,
eles querem-te apanhar,
põe-te à tabela, Manel.

RODELA - " A SINA DUM REVOLTADO" - 2016

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Gente da Nossa Terra

 JOÃO ERVILHA

Os Ervilhas são da gente
que honra a nossa freguesia,
não por ser gente valente
e alheios à cobardia.

Honram-nos pela canseira
que têm no seu dia-a-dia,
pra acenderem a fogueira
do amor e da alegria.

Ainda o sol não tem chegado
já eles têm o seu gado
na quinta para lavrar.

E no tempo que lhes resta,
fazem da igreja uma festa
na santa missa a cantar.
 

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

A sina dum revoltado

MULHERES

Vós, ó berço divinal,
do nosso sono primeiro
mulheres de Portugal!
Mulheres do mundo inteiro!

Depende de vós a terra
como da água sagrada,
que corre, de serra em serra,
p'ra sua fonte encantada.

Mulheres, mães, companheiras,
quer casadas quer solteiras,
viúvas ou divorciadas.

É p'ra vós que esta voz canta
e por vós rasga a garganta
até seres libertadas!

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Nacos de Vida

BOM DIA FREAMUNDE

Onde esta voz se levanta,
embora esteja lá eu,
é Freamunde quem canta
porque eu sou um filho seu.

Aqui na televisão
ou noutro qualquer lugar,
cantamos por ter razão
não cantamos por cantar!

Teatro, música e letras,
pinturas que não são tretas,
bombeiros e futebol.

Temos aqui disso tudo
menos as mãos de veludo,
é da cor de Abril o sol!

RODELA - "NACOS DE VIDA"

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Pedaços de Nós

SE RAQUEL O OIRO DA TERRA

Venham ver a Se Raquel
ali a varrer na feira
não fica nem um papel
desde o Cruzeiro à Palmeira.

Essa mulher pequenina
foi duma raça tamanha
que nem a folha ladina
que ela ali na praça apanha

Era pobre muito pobre
mas dum coração tão nobre
como poucos vi na vida

A grande riqueza dela
era ver na Gandarela
a sua jóia querida.

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

A sina dum revoltado

ODES AO VENTO

Vento que sopras sem brio
ao pé da minha janela,
faças calor, faças frio,
não se intimida o Rodela.

Eu sou amante do vento
e o vento só nos faz mal.
Não é por ser violento
é uma força natural.

Ai!...Mas se o vento soprasse
às horas que eu lhe ordenasse,
havia horas do dia

que ele soprava mais forte,
p'ra levar mais cedo a morte,
às hostes da hipocrisia.

RODELA - "A SINA DUM REVOLTADO"

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Gente da Nossa Terra

JAIMINHO BARROS

A farmácia do Jaiminho,
sempre que solicitada,
recebe-nos com carinho
mesmo depois de encerrada.

Pode até não agradar
esta gente a toda a gente,
mas a forma de tratar
põe meio mundo contente.

Ele faz parte de nós,
como seus pais, seus avós,
e agora filhos e netos...

e de toda a redondeza,
todos vêm p'la gentileza
dos seus carinhos e afectos!

quinta-feira, 25 de julho de 2019

A sina dum revoltado

P'LO CONCELHO DE FREAMUNDE

Lutem por este concelho!...
Nem sequer por brincadeira
se vejam mais ao espelho
do de Paços de Ferreira.

E p'ra quem cá do torrão,
deseje lá pertencer,
acho bem!...Mate a paixão,
mas que vá p'ra lá viver.

São horas da gente dar
As mãos e virmos lutar
Por muito que vá doer!

Aos «Vasculhos» cá da terra:
é p'lo concelho esta guerra
e vamos ter que a vencer.

RODELA - " A SINA DUM REVOLTADO"

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Pedaços de Nós

OBRIGADO CECÍLIA "LOREIRA"

Se a terra pusesse um busto
à sua maior guerreira
julgo que seria justo
pô-lo à Cecília "Loreira".

Ela era o futebol,
o caldo verde das festas,
e se calhar este sol
Freamunde, onde te crestas!

Quando a terra se enfeitava,
ela nunca se sansava
de lhe dar vivas e abraços,

E p'rá festa ser dobrada,
era uma cabazada
de sete a zero aos de Paços.

terça-feira, 25 de junho de 2019

Poesia de Freamundenses

EU

Até agora eu não me conhecia
Julgava eu que era outra Aurora
Não sei se sou agora o que queria
Ou se não sou aquela que era outrora

Em ti eu me conheço e desconheço
Contigo eu me procuro e me revelo
Alegro-me se sou o que mereço
E o que sou me assusta ao conhecê-lo

Eu não me fiz existo ou nasci
´Que importa como quando sou um ser
Em busca neste mundo conturbado

Mas tudo o que procuro há em ti
E se me negas continuo a ser
À procura de amar e ser amado

AURORA BICA - "ALMA FREAMUNDENSE"

quinta-feira, 6 de junho de 2019

A sina dum revoltado

CAMINHOS DA LIBERDADE

Sou de Maio, sou de Abril,
sou do povo e sou Manel,
bebo por este cantil
e só a ele sou fiel.

Corro atrás deste ideal
como o Adão p'ro paraíso.
Só que ele portou-se mal,
mas eu tenho mais juízo.

Deixem passar quem deseja,
não os empurrem p'ra igreja
só porque querem passar.

Se não sujeitam-se, um dia,
a ter a igreja vazia
e Abril com medo de entrar.

RODELA - "A SINA DUM REVOLTADO"

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Pedaços de Nós

 O RODELA E O BRANQUINHO

Já fui cantador de feira
fingindo ser um gaguinho,
a cantar por brincadeira
eu e o Domingos Branquinho.

Mas a brincar, a brincar
co' a massa que ali caiu,
foi comer até deixar
e a gaguês até saiu.

Ó Domingos sê tu franco
foi esta a história mais bela
que nós criamos, vizinho.

Eu de gago tu de manco
tu imitaste o Rodela
eu imitei o Branquinho.

quinta-feira, 21 de março de 2019

Gente da Nossa Terra

JAIME MINEIRA

Abram alas!...Vai passar
o senhor Jaime Mineira,
com saudades de rachar
do Ramiro e da palmeira.

Mal acaba de chegar
e nem um minuto passa
já estava a despejar
ele ali algo pla praça.

Este é que é o catecismo
que canta o nosso bairrismo!...
Por muito que vá custar

À nova filosofia
cá da nossa freguesia,
que tudo faz pró calar!

RODELA - "GENTE DA NOSSA TERRA"

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

A sina dum revoltado

CARO LEITOR

Se um dia, caro leitor,
lhe disserem bem de mim,
não creia nesse estupor,
que eu não fui tão bom assim.

Não me cante, nem me reze,
deixe-me estar descansado,
que nem o mundo se preze
de eu por aqui ter passado.

Quer que lhe diga a verdade?
Eu não vou deixar saudade
cá neste mundo a ninguém.

Mas também parto cansado
de nele ser explorado
e sem saudades também.

RODELA - "A SINA DUM REVOLTADO"

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Nacos de Vida

BEIJOS DO MEU MENINO

Os beijos do meu menino
são rebeldes como a hera
crescem sempre, sem destino,
se a gente não os pondera!

Mas deles nunca me canso
se começo não arreio,
eu sou como o pombo manso
só estou bem, c'o papo cheio!

Quando eu me encontro doente
ele só fica contente
quando eu disser que estou bem.

E quando estou a tardar
vem-me abraçar e beijar
mas já doente também!

RODELA - "NACOS DE VIDA"

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Pedaços de Nós

 O NOSSO TONINHO NOGUEIRA

Quando o Toninho Nogueira
fazia o rosto corar,
nenhuma banda p'la beira
batia a nossa, a tocar!

Este filho cá da gente,
nesta sua banda amada
foi desde aluno a regente,
sempre de cara lavada.

Ainda hoje a chorar
a gente ouve perguntar
onde a banda se desloca

pelo Toninnho Nogueira
e há quem jure, ali à beira!
está no que a banda toca.