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segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Nacos de Vida

NACOS DE VIDA

Os poemas que aqui canto, minha gente
são os nacos de vida mais doridos
que por mim e p'los meus foram vividos,
só porque eu alinhava noutra frente.

Foram ossos difíceis de roer,
mas foram-se roendo devagar
e de cabeça erguida bem p'ró ar
com os meus a pedir-me pra descer.

Se eu tivesse atendido ao seu pedido,
não passaria hoje dum vendido
com a barriga cheia, acomodado.

Como um abade farto, como um odre
e se calhar até rico de podre,
mas prefiro ter fome deste lado.

RODELA - "NACOS DE VIDA"

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Poesia de Freamundenses

SARDINHEIRAS

Com a canastra ao ombro
E uma saca com broa
Nas cornetas o estrondo
Fresquinhas a dez à croa

Tu corrias o concelho
Apregoando a sardinha
Não havia nenhum quelho
Que não fosse a canastrinha

Tu, mulher de manhazinha
Calor, frio ou com fresquinha
Lá ias com a gamela

É assim deste talento
Para ganhar o sustento
A mulher da Gandarela.

RODELA - "FREAMUNDE E O SENTIMENTO POPULAR" - 1987

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Pedaços de Nós

MISSIONÁRIO DE BACO

Chama-se Berto Manaco
mas mais parece o Fidel
o missionário de Baco
de todos o mais fiel

Quem o quiser ver em paz
como um santo numa igreja
é ter sempre este rapaz
vinho, bagaço ou cerveja

Este belo bebedor
também se diz caçador
e pescador de fanecas

Mas no que ele é mesmo bom
e ninguém põe em questão
é mesmo a vazar canecas.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

A sina dum revoltado

A FORÇA DO VINHO

As minhas musas são as canequinhas,
sejam de branco ou tinto, pouco importa,
embora o branco fique sempre à porta,
desde que do tinto haja umas pinguinhas.

Se deixo de beber, ando doente!
E, às vezes, as saudades já são tantas,
que eu, só, bebo por mil e umas gargantas
e aí eu já não sou tão exigente.

Com vinho, saro as mágoas da amargura!
Com vinho, vejo o sol na noite escura!
E, com vinho, dou asas à caneta!

Sem vinho, sou um ser mais que apagado
sem vinho, sou um pobre complexado!
Sem vinho, se sou não seria poeta!...

RODELA - "A SINA DUM REVOLTADO" - 2016

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Gente da Nossa Terra

DONA RITA

Esta cara tão bonita
que aqui está na vossa frente
é a nossa Dona Rita
filha adoptada p'la gente

Freamunde está vaidosa
desta sua professora,
pela alma generosa
desta tão grande Senhora!

Mil anos que eu vá durar
sempre a hei-de recordar
professora Dona Rita.

Mais não fosse pela razão
do seu grande coração
e essa ternura infinita!...

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Poesia de Freamundenses

AS MINHAS TERRAS

Anda comigo às romarias
vamos bailar rapariga
nas Sebastianas dás o mote
no S. Pedro a voz amiga

A vida é feita de lembranças
de cenas que nos assolam
vem comigo camarada
ajuda-me na caminhada
aos tempos em que éramos crianças

E enquanto tocas nos bombos
nestas festas sem igual
tu vens fazer-me irmanar
duas terras que eu sei amar
tantas vezes p'ra meu mal

S. Sebastião cheio de setas
faz-me rever minha cruz
S. Pedro abre-me as portas
quando as coisas andam tortas
traz-me um pouco doutra luz

São duas terras vizinhas
cheias de maravilhas tais
que às vezes cheio de dores
me ofereço a estes dois amores
nos meus versos marginais

"Quim da Praça" - "Terras de Ferrara - Nós e a paisagem" - 2003

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A sina dum revoltado

AO SABOR DOS MEUS VERSOS

Faço versos, porque gosto
de sentir esse prazer!
Nunca p'ra subir de posto,
nem p'ra mostrar o saber.

Meus versos, p'ra mim, são filhos,
netos, irmãos e bisnetos.
E todos me dão sarilhos,
quer sejam brancos ou pretos.

São loucos por natureza,
não se sentam nma mesa
a discutir as razões

de melhor gerir o mundo.
P'ra si já são leis no fundo,
antes de serem questões.

RODELA - "A SINA DUM REVOLTADO" - MARÇO DE 2016

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Gente da Nossa Terra

 DONA CREMILDE

A senhora professora
que aqui está na vossa frente,
não sendo filha da gente...
nunca foi filha de fora.

Nesta terra, nossa e dela,
foi amada, soube amar
e acabou de se formar
na escola da Gandarela!

Foi assim que esta senhora,
como aluna e professora,
nos ajudou a crescer

como terra de cultura,
com seu saber e postura,
que a gente sabe entender!

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

A sina dum revoltado

A PUREZA DA ALMA

Um sorriso de criança
é das coisas mais bonitas,
que eu guardo como lembrança
nas minhas quadras malditas!

Mas ninguém tem o direito
de guardar coisa tão bela,
nem na mente, nem no peito,
nem nas quadras do Rodela.

Eu sei que fui atrevido
por nunca ter devolvido
o sorriso que, no fundo,

pertencendo a mim também,
não é meu nem de ninguém
é um tesouro do mundo.

RODELA - "A SINA DUM REVOLTADO" - MARÇO DE 2016

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Pedaços de Nós

 GRANDE ZÉ BRAVO

O Zé Bravo é jornaleiro
o Zé Bravo anda ao jornal,
puxa a enxada o dia inteiro
a comer caldo sem sal.

Já tem mais de oitenta anos
e lá vai de manhã cedo
com umas botas de canos,
que ao longe já metem medo...

Não tem crise no trabalho
nem ganha a enxada farfalho,
a cavar tantos torrões.

Vontadinha não lhe falta
que é o que falta a muita malta
principalmente aos patrões.
 

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Poesia de Freamundenses

HISTÓRIA DAS BOTAS

Tenho dito ao senhor Brito
E aborreço-o muitas vezes
Por causa de umas botas
Já lá vão nove meses.

Peço desculpa, oh senhor Brito,
Mas como vê, tem de ser
Se não ponho os pontos nos is,
Nunca mais as chego as ver.

Oh botas, vós que sois botas,
Botas fortes e de potência,
Desculpe lá senhor Brito
O forte da minha exigência.

É do conhecimento de todos,
Meus senhores, bem o sabeis,
Estou a contar com as botas
Antes de chegarmos aos reis.

Eu nunca me envaideci
Por saber contar anedotas,
Oh senhor Brito, termina aqui
A grande história das botas.

BRANQUINHO - "FREAMUNDE E O SENTIMENTO POPULAR" - 1987

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Gente da Nossa Terra

DININHO MOURA

Fujam, oh rapaziada!...
Vem aí o Senhor Moura
e vem de língua afiada...
mais parece uma tesoura.

Foi pró Brasil em rapaz,
voltou maduro e cansado
e descansa agora, em paz,
ao seu torrão abraçado.

Partiu para lá sozinho
e regressou ao seu ninho
solteirinho novamente,

por ter jurado à palmeira
amá-la prá vida inteira
e ser seu eternamente.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

A sina dum revoltado

ESTE DOM QUE DEUS ME DEU

Fundiu-se no meu pedaço
este dom que Deus me deu,
mas cada verso que eu faço
tem sempre um pouco de meu.

É nos braços da loucura,
que vivo a cada momento
e os versos são a doçura,
que me atenua o tormento.

Quem nasce versejador
não passa dum sofredor
como o Deus crucificado.

Versejador que se veja
só na cantiga da igreja,
não passa dum pau mandado.

RODELA - " A SINA DUM REVOLTADO" - MARÇO DE 2016

segunda-feira, 19 de junho de 2017

XV Concurso de Quadras Sebastianas 2017

1º Prémio - Quadra nº 230

O "mel", as ruas ornadas,
A procissão, os tambores,
As "vacas de fogo", arruadas,
Freamunde tem mil cores.

"Amigo da Folia" - Joaquim da Conceição Barão Rato - Beja

2º Prémio - Quadra nº 24

Eu fui à noite dos bombos
E pulei como os cachopos...
Para casa vim aos tombos,
- Foi dos tombos ou dos copos?!...

"Músico" - João Pedro Nunes Duarte Marques - Porto 

3º Prémio - Quadra nº 190

Lançado no São João
Com rumo às Gualterianas
Eis que caiu o balão
Em plenas Sebastianas!

"Pureza" - Arménio João Nogueira de Sousa - Freamunde

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Gente da Nossa Terra

DAVID MEIRELES

Na arte do dia a dia
o David era um doutor,
mas na columbofilia
foi doutor e professor.

Passou uma vida inteira
a tratar dos seus pombinhos,
sempre da mesma maneira
que uma mãe trata os filhinhos.

Hoje, já velho e cansado,
pôs os pombinhos de lado,
mas tem a sabedoria

que ainda vai ensinando
a quem o vai procurando,
a qualquer hora do dia.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Poesia de Freamundenses

HOMENAGEM

Pequeno ladino,
De andar apressado,
É vê-lo correndo
De lado pra lado.

Amigo fiel,
Leal companheiro
Não trai, não magoa
Pelo mundo inteiro.

Artista de gema,
Na família tem
Orgulho e vaidade
Que lhe ficam bem.

Ah! Já descobriram
Depois desta dica?
Trata-se do nosso 
Amigo Quim Bica.

FERNANDINHA FELGUEIRAS - "FREAMUNDE E O SENTIMENTO POPULAR" - JUNHO DE 1987

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Pedaços de Nós

 FONTE BAIRRISTA

Adelino da Claudina
Deus te tenha em bom lugar,
fonte bairrista divina
duma doutrina sem par.

Tu foste o Trio Sessente
c'o Pataco e c'o Vaidoso
raíz que ainda ustenta
este cantinho orgulhoso.

Festão da festa da Vila,
onde tudo se compila,
das vacas de fogo ao mel

E há quem diga até por graça
que eras amante da Praça, 
por lhe seres tão fiel.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

A sina dum revoltado

DEIXEM O RODELA EM PAZ

Deixem o Rodela em paz
neste canto de ninguém,
porque ele não é capaz
de prejudicar alguém.

Tudo o que ele quer, na terra,
é que todos tenham pão
e se ponha fim à guerra
entre o sério e o ladrão.

Por causa destas figuras,
é que o mundo, criaturas,
continua a ter patrões.

E todos sabemos bem
que ele não é de ninguém,
mas vai sendo dos ladrões.

RODELA - " A SINA DUM REVOLTADO" - MARÇO DE 2016

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Gente da Nossa Terra

CLAUDINO MANACO

Eis o Claudino Manaco
junto ao café do Malheiro,
onde passa o dia inteiro
e nunca gasta um pataco.

Pró Freamunde dá tudo
e, se não tiver dinheiro,
ele empenha o mealheiro,
o boné e o sobretudo.

É por isto, minha gente,
que esta terra vai prá frente
não plo concelho que tem!...

E enquanto houver Claudinos,
Candeeiros e Vitorinos
nós guiaremo-nos bem!

quarta-feira, 22 de março de 2017

A sina dum revoltado

À RODA DESTA FOGUEIRA

Nunca ninguém vai julgar
meus versos à revelia,
enquanto o mundo pagar
os luxos à burguesia.

Hei-de estar sempre presente,
nos versos do meu conforto,
ao lado da minha gente,
quer esteja vivo ou morto.

E deixem os cães ganir
que vão deixar de se ouvir
no dia em que o povo queira.

Depois vai ser uma festa
vê-los a andar ao que resta,
à roda desta fogueira.

RODELA - "A SINA DUM REVOLTADO" - MARÇO DE 2016