Mostrando postagens com marcador Santa Luzia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Santa Luzia. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Feira dos Capões ou de Santa Luzia - referências ( I )

Antigamente, a este colorido cartaz afluíam  milhares de forasteiros (agora, fruto dos tempos, já não é bem assim), oriundos, sobretudo, da região norte, atraídos por um evento único no País. Só aqui, em Freamunde, na Feira dos Capões, o eunuco imperou, impera (até quando?) e a vai justificando.
No dia 13 de Dezembro, cá tínhamos em abundância capões, perús, (os "reis" da festa"), patos, gansos..., aves estendidas em redor da capela de Santo António onde os crentes veneravam a milagrosa imagem de Santa Luzia. Vendia-se toda a gama de vestuário. As tendas proliferavam, recheadas de cobertores da Serra da Estrela, samarras, capotes e tamancos, para os rigores do Inverno que espreitava; alfaias agrícolas, mel, produtos hortícolas..., enfim, um sem número de utilidades sem esquecer as barracas de comes e bebes, os "trameleiros" dos contrabandistas e os vendedores da "banha da cobra".  
E é duma senhora simpática, de ar jovial, cabelo louro oxigenado (nunca a conheci doutra forma), que comercializou durante anos a fio o famoso produto, sempre junto ao Cruzeiro, que me vou debruçar. Comercializou, porque já não comercializa. Faleceu há aproximadamente três anos.
Vendedora astuta, com oratória estruturada, convincente sobre os efeitos do xarope milagroso, ao grupo de incautos entretanto seleccionados, gente "antiga", facilmente lhes criava a ilusão de que a bicha solitária, com 52 metros de comprido, visível no frasquinho exposto mesmo ao lado, tinha sido expelida dos intestinos de um vizinho que correra Ceca e Meca sem conseguir debelar a crise que o atormentava. As constantes aflições do reumatismo, ciática, verrugas desapareciam com 5 ou 6 aplicações de uma pomada toda feita de plantas medicinais, de acção rápida e eficaz, que não custava nem 30, nem 20, nem 15! Quem levasse duas embalagens pagava apenas 10 euros e ainda levava outra totalmente de graça.
A maioria da clientela, de quem  nunca precisou de fugir, comprava sem pensar, sequer precisar, mas comprava. Sempre iludida mas todos os anos comprava.
Se é certo que a dita pomada não curava, também não consta que daí tenha vindo mal ao mundo.
Hoje passei pelo "Cruzeiro" e lembrei-me da "Senhora". Até agora insubstituível, faz falta à Feira.
 JOAQUIM PINTO - BLOG "FREAMUNDE: FACTOS E FIGURAS"

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Cartaz da Feira de Santa Luzia

Um cartaz muito antigo (a julgar pelo português) da Feira de Santa Luzia ou Feira dos Capões. Talvez de 1952, pelo carimbo que se encontra na parte de cima do cartaz... Ontem, tal como hoje, continua a ser única no país. Uma feira que, nunca é demais lembrar, foi instituída provisão régia do Rei D. João V a 3 de Outubro de 1719, e que se realiza anualmente a 13 de Dezembro, no dia em que a liturgia católica venera Santa Luzia, protectora da visão.
Imagem partilhada na rede social "facebook".

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Feira de Santa Luzia ou dos Capões

Fotografia captada na Feira dos Capões 2012
Na manhã solarenga do dia 13 do mês corrente (não se cumpriu o adágio: Conceição de sol, Luzia de...sol), Freamunde abriu as portas e recebeu de braços abertos centenas de forasteiros que quiseram manter a tradição histórica documentalmente instituída por D. João V por provisão de 3 de Outubro de 1719.
Satisfazendo "graças" perante a imagem de Santa Luzia, advogada da vista (Queres ver o dia? / Pede a Santa Luzia), a capela de Santo António foi "inundada" de fiéis, imbuídos na crença religiosa, na qual se celebraram duas missas solenes.
Cá fora, sobretudo na tenda junto ao Coreto e que servia a Associação de Criadores de Capão, o "bicho" imperava. A promoção intensificou-se e os "eunucos" e perus resistentes (quantos já não teriam sido vendidos nas vésperas para vários restaurantes da região?!) mostravam credenciais. Este ano, no concurso promovido, contrariando a lógica, a Guidinha perdeu para concorrência de "fora".
O negócio dos tendeiros não foi por aí além. Vá que não vá! As carteiras andam sem "ar" e a mercadoria exposta para uso no Inverno, sobretudo capotes, samarras, botas e camisolas peludinhas..., não serve a juventude, mais virada para os centros comerciais. Nada como umas calças de ganga rasgadas nos joelhos e sapatilhas nos pés.  É a moda, dizem.
Mesmo os "trameleiros" dos contrabandistas acusaram a crise. Só as barracas de comes e bebes se safaram. Que o diga a Comissão de Festas Sebastianas 2017. Na véspera (a tradição está a pegar de tal forma que o espaço já não chega para as encomendas), foi um ver-se-te-avias de rojões com batatas alouradas com "pinga" de se lhe tirar o chapéu. Não faltaram, como não podia deixar de ser, as castanhas quentes e boas. Só poucos lhe chegaram: uma dúzia, dois euros. Chiça! Enfim, foi comer e beber à tripa forra. Tudo ao som do "residente" Mingas e amigos, para animar o ambiente já de si escaldante.
Na noite do dia 12, no salão de festas da "Quinta do Pinheiro", realizou-se, como vem sendo habitual, um jantar de gala. No concurso gastronómico, o conceituado júri apreciou os pratos de capão cozinhado e apresentado por 13 restaurantes concorrentes, premiando a empresa de restauração "Pensão Aidé", de Paços de Ferreira.
Para o ano há mais. É assim em Freamunde. Com chuva ou com sol a tradição é para manter.
JOAQUIM PINTO - "JORNAL GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA" - EDIÇÃO DE 22 DE DEZEMBRO

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Feira de Santa Luzia ou dos Capões

LUÍS PINTO - 1º PRÉMIO MELHOR CAPÃO VIVO
Os serviços de meteorologia avisavam: vai chover no dia de Santa Luzia. Iria confirmar-se o adágio, pois o tempo portou-se bem na festa da Srª da Conceição? Não. São Pedro foi amigo e apenas abriu as torneiras já sol posto e com os tendeiros de regresso a casa.
Só a crendice poderia afastar os milhares de forasteiros deste colorido cartaz regional, este ano estendido por dois dias. Mas alguém, há tempos, lembrou-se de sossegar os espíritos, "cantando": «Vá comprar o seu capão/Dia treze não se importe.../Não ceda à superstição/Treze, em Freamunde, é sorte».
As aves, estendidas em tenda apropriada junto ao Coreto, foram alvo de apreciação por parte do júri entendido que, segundo regras específicas, avaliou o melhor capão vivo no concurso promovido por várias parcerias.
Com a crise que por aí grassa, os feirantes eram aos montes. É certo e sabido que já nada é como dantes: na rua do "Américo" já não se veem os cobertores da Serra da Estrela; nos capotes e nas samarras do "Cardoso da Saudade" - ainda resiste - poucos lhes pegam (a malta jovem está virada para os "shoppings", onde encontram artigo leve, de "marca", pouco se importando com os rigores do Inverno); tamancos, quem os quer?
ARMANDO GONÇALVES - 2º PRÉMIO MELHOR CAPÃO VIVO
Trameleiros, estavam os "contrabandistas". De microfone em riste, falavam pelos cotovelos apregoando a mercadoria: «Pegue lá!...Pegue lá!...Por apenas cinco euros leva quatro almofadas ortopédicas, duas dúzias de pares de meias e ainda estes dois lindos guarda-chuvas». Não faltou quem fosse levado na "onda"!
De bolsos a abarrotar ficaram os tendeiros de "comes e bebes", Comissão das Sebastianas 2016 incluída. O vinho era de estalo e para uns rojões, iscas ou frango assado há sempre uns trocos. Às castanhas é que poucos lhe chegavam. As "quentes e boas" custavam os olhos da cara e o negócio foi fracote.
Na capela de Santo António, onde, na manhã do dia 13, se celebraram duas missas solenes, ninguém podia entrar, sempre "à pinha" de fiéis, cumpridores da promessa, satisfazendo "graças" perante a milagrosa imagem de Santa Luzia, advogada da vista. «Queres ver o dia?/Pede a Santa Luzia».
No festival equestre, realizado nos terrenos adjacentes à piscina municipal, o numeroso público vibrou de entusiasmo com as habilidades dos conjuntos. Não faltou quem notasse a falta do "Dragão", esse dócil e fiel amigo do cavaleiro freamundense, Abílio Ribeiro Gomes. "Dragão", célebre cavalo branco, que durante anos a fio deliciou, com os seus movimentos de verdadeiro "artista", a imensidão de aficionados que possuía. O "Dragão" havia "tombado", há poucos dias, de morte natural.
Pronto, já sabe: Capão, já com processo de certificação, é em Freamunde. Só.
Uma certeza aqui fica: com chuva ou com sol a tradição é para manter.
MARGARIDA MOTA - 3º PRÉMIO MELHOR CAPÃO VIVO
 JOAQUIM PINTO - "JORNAL GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA"
FOTOS : FACEBOOK

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Feira dos Capões ou de Santa Luzia

O adágio (Conceição de sol, Luzia de chuva) perspetivava algo de preocupante, mas não se cumpriu. Umas nuvens carregadas, não mais do que isso.
A Festa / Feira prometia: a própria estação pública, RTP1, no seu programa de sábado, 13, "Aqui Portugal", apresentado por Jorge Gabriel, Sónia Araújo e Hélder Reis, dedicou toda a tarde à divulgação e promoção do "bicho", com cantorias e tudo. Oportunidade para que todo o Portugal, os nossos emigrantes espalhados pelo mundo, vissem e ouvissem um pouco do que de bom se produz nesta  Terra: Grupo de Castanholas da Associação Recreativa e Cultural Pedaços de Nós, Grupo Folclórico de Freamunde, Grupo Teatral Freamundense, Rui Taipa...
Depois, a feira é secular, única no País, desde que D. João V a institucionalizou por provisão de 3 de Outubro de 1719, não se estranhando que tivessem afluído a esta cidade milhares de forasteiros durante os dois dias, pois houve prolongamento no domingo, muitos atraídos por um cartaz típico e original, outros à procura do melhor eunuco, "o reia da festa", produto já certificado com a Identidade Geográfica Protegida.
Este ano, os galináceos foram colocados no interior de tenda improvisada, confortável, decente, inovação que se saúda.
Como sempre tem acontecido, a Associação de Criadores de Capões, em parceria com a Junta de Freguesia, promoveu um concurso de "capados" vivos, sujeito, na apreciação e classificação por um júri conceituado, a regras específicas, tendo em consideração o peso a qualidade e a beleza das aves.
A vencedora veio da freguesia vizinha: «todos reclamam, meu senhor, que um par não é nada barato. É bem verdade mas a vida levou uma volta muito grande e os "bichos" custam os olhos da cara a alimentar. Mesmo assim, não me posso lamentar. Pensei que fosse bem pior! A consoada está aí à porta e os que possuem carteira recheada - nem todos, como podem compreender - lá vão mantendo a tradição, obrigando-nos a novas "capadelas" ano após ano».
Mas o dia também é dedicado a Santa Luzia, advogada da vista. Os "crentes" aproveitaram a altura para venerarem na capela de Santo António, onde foram celebradas missas solenes, a imagem da milagrosa. «Queres ver o dia? Pede a Santa Luzia».
Com sol ou chuva, com crise (que tem mexido no orçamento de muitas famílias) ou sem crise, a tradição ainda é o que era. Um pouco diferente, é certo: grande parte dos capões já é procurado e comprado dias antes pelos proprietários dos restaurantes...Antigamente era esta feira que marcava o início do Inverno e onde se compravam os agasalhos para os rigores da época. Com a proliferação dos centros comerciais, as tendas de roupas cingem-se a miudezas (o engraçado era o pregão: é tudo a cinco euros!) e as bancas à venda das doçarias, bujigangas, produtos hortícolas, alfaias agrícolas, eu sei lá!
Quem esteve nas quintas foram as barracas tradicionais de comes e bebes, com especial destaque para a tenda das "Sebastianas", oficialmente aberta desde a noite do dia 12. A abarrotar, todos tingiram os lábios com um tintol de estalo da região e para compor o estômago, uns rojões dentro dum pão pois as castanhas estão pela hora da morte e poucos lá podiam chegar. Dois euros a dúzia, chiça! Enfim, já madrugada dentro, depois das cantigas à mistura, "apanhou-se" um ou outro que não descortinava o caminho para casa ou não se lembrava onde havia estacionado a viatura. Acontece ao mais pintado.
Mas quem não quis esperar pelo dia 13, "alambazou-se" com o saboroso e estaladiço pitéu, no salão de festas da "Quinta do Pinheiro", onde se realizou o jantar de gala, com a presença de vários convidados. No concurso gastronómico, o júri, de paladar bem apurado, apreciou os pratos de capão melhor cozinhado e com superior apresentação dos vários restaurantes concorrentes, premiando com o primeiro lugar a empresa de restauração pacense, "Pensão Aidé".
Também a equitação marcou presença. Nos terrenos junto à piscina, imensos apreciadores puderam assistir à exposição de cavalos de diferentes raças e ao sempre esperado espctáculo equestre, numa organização perfeita.
E é assim. Ano após ano a Feira dos Capões ou de Santa Luzia é o culminar de um ciclo festivo nesta Terra chamada Freamunde.
JOAQUIM PINTO - "JORNAL GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA"

domingo, 20 de janeiro de 2013

O venerável capão

É UMA DAS GLÓRIAS DE OUTRORA.
E agora está de volta à nossa cozinha, com todo o sabor. Já vai sendo altura de lhe dar o devido lugar de destaque.
Tudo aponta para que a saga do capão tenha começado com a descoberta de que, privado dos argumentos masculinos, o galo não cantaria. Silêncio portanto na capoeira, para sossego dos centuriões romanos que terão, reza a lenda, inaugurado a criação de capões. Um bónus: o animal bem alimentado compensa o seu dono com carne macia e gorda, amiga da assadura.
Afinal, estávamos a mais de mila anos da chegada do primeiro peru ao velho continente - esse bicho medonho que crescia incomensuravalmente, a ponto de entrar nas honras da mesa da ceia dos norte-americanos, que o batizaram de turkey. Os mercadores turcos fizeram-no subir do México para as terras dos pioneiros e tinha carne para uma família numerosa. Os franceses foram um pouco mais requintados, chamando-lhe dinde, ou poularde des Indes; « a galinha das Índias Ocidentais». Nós não fomos em modas e chamámos-lhe peru, porque tudo o que vinha da América do Sul era marcado como vindo do Peru.
O capão perdeu, por isso, atenção. Mas agora renasce com honras de Indicação Geográfica Protegida (IGP), através da freguesia de Freamunde, com receita única e tema de feira - em Dezembro, na festa de Santa Luzia. E com a inevitável comparação: se de um peru primorosamente assado não arrancamos mais do um « não está seco», do capão extraímos sabores copiosos e uma textura deliciosa. Ainda falta uma certa tramitação legal para que possamos comprá-lo nos supermercados, embalado e pronto a comer. Mas já faltoumais...
"GOURMET - Por Fernando Melo. Revista Notícias Magazine - dia 13 de Janeiro de 2013"

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Feira dos Capões 2012

"Conceição ri, Luzia chora"! A sabedoria popular assim o diz, e assim aconteceu! A manhã de hoje era convidativa para uma visita à Feira dos Capões. A tarde assim não o foi! Um temporal abateu-se sobre a cidade de Freamunde e a Feira dos Capões 2012. Péssimo dia para o negócio dos dezenas de comerciantes que se deslocaram para a edição deste ano da feira. Péssimo dia para as milhares de pessoas que aqui se deslocaram para as suas compras. Uma manhã convidativa, uma tarde horrível!..
Se bem que a instituição oficial se tenha verificado em 1719, por provisão D'El Rei D. João V, estudiosos indicam-no como costume medieval, de que há mesmo notícias em documentos do Séc. XV, muito anterior, portanto, à provisão atrás citada. A feira em que o Capão é rei e senhor, apesar do temporal, realizou-se. O Capão, iguaria sem par, é um produto com enorme potencial para a nossa região. Freamunde, uma vez mais, engalanou-se para a tão "sua" e única Feira dos Capões...
Ontem à noite realizou-se o tradicional Jantar de Gala para o apuramento do vencedor do "Concurso Gastronómico Capão à Freamunde". O vencedor deste ano foi o "Restaurante Penta", em Paços de Ferreira.
Deixo-vos alguma fotografias da Feira dos Capões 2012. As três primeiras fotografias em baixo expostas são dos capões vencedores do "Concurso Melhor Capão Vivo" da feira, inserido no programa da feira.
1º Prémio - "Concurso Melhor Capão Vivo"
2º Prémio - "Concurso Melhor Capão Vivo"
3º Prémio - "Concurso Melhor Capão Vivo"

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Feira dos Capões / Santa Luzia 2011

Em dia de Santa Luzia...
Quando "cresce a noite e minga o dia..." é mesmo, dia de perder a noite. Sobretudo se choveu pela Senhora da Conceição, cinco dias antes. É que lá diz a sabedoria avessa a livros mas de boas graças com a realidade que «Conceição de chuva, Luzia de sol...Conceição de sol, Luzia de chuva...»
Seja como fôr, com sol, ou com chuva, Santa Luzia te guia como a milhares de pessoas para Freamunde. A um espectáculo popular com origens perdidas nas raízes dos tempos e único neste país e mesmo na Europa. Onde há que vir e estar com olhos de ver porque também para tal Santa Luzia dá uma ajuda.
A 13 de Dezembro de cada ano, dia festivo de Santa Luzia, padroeira das doenças das vistas - ela própria a abrir os olhos a quem, por má intenção ou desatenção, não queira ver que se encontra perante um espectáculo único em todo o país.
Com efeito, em mais nenhuma feira portuguesa o capão impera e a justifica: só em Freamunde. E de longa data assim é...
Capão
O Capão de Freamunde, ex-libris de Freamunde, é um frango proveniente de estirpes de crescimento lento, do tipo Atlântico da raça Gallus domesticus, castrado antes de atingir a maturidade sexual e que se destina esclusivamente à produção de carne.
O acto de capar remonta ao tempo dos Romanos. Consta-se que o Cônsul Romano Caio Cânio, cansado da perda do sono por causa do cantar dos galos, conseguiu fazer aprovar uma lei impeditiva da existência destas aves na cidade de Roma. Sem contrariar a lei, houve logo quem se lembrasse de uma forma de continuar a usufruir da carne dos galos, capando-os. Terá deste modo surgido uma nova "espécie", o capão, que ultrapassa em beleza, tamanho e sabor, o galo macho. O "voto" de castidade concede ao animal um ar triste e envergonhado, mas torna-o gordo, opulento, dotado de uma carne tenra e das mais saborosas de todas as aves.
Com a romanização de todo o território do Noroeste Peninsular e com a criação dos pequenos aglomerados populacionais sobre a jurisdição Romana, a tradição de criação do capão foi passando de geração em geração.
A Feira do Capão...
Se bem que a instituição oficial se tenha verificado em 1719, por uma provisão d'El Rei D. João V, datada de 3 de Outubro desse ano e "rezestada na Chancellaria Mor da Corte e Reino no livro dos officios e Mercês a folhas quarenta e oito : (em) Lisboa Occedental (a) dois de Novembro de mil setecentos e dezanove...", já alguns séculos antes a prática de capar frangos e de os comercializar era tradição na "freguesia de Salvador de Friamunde de Honrra de Sobrosa Concelho de Aguiar de Souza Comarca do Porto..". Estudiosos indicam-no como costume medieval, de que há mesmo notícia em documentos do Séc. XV, muito anterior, portanto, à provisão atrás citada a qual, no fundo, não mais visava do que a sua legalização e a defesa dos interesses da Confraria de Santo António, em cujo terreiro as feiras se realizavam e das quais pretendia auferir proveitos.
O melhor da feira, e que lhe granjeou fama e popularidade, é o imenso mercado de aves. Se o capão é o rei da festa, com justiça se poderá dizer que o perú - que à feira também ocorre em numerosos bandos - é a sua vistosa e majestosa corte. Este enorme arraial de emplumados empresta à feira um generoso e inigualável colorido, o que a torna no mais alegre e garrido cartaz de quantas manifestações do género que se podem usufruir na região de Entre-Douro-e-Minho. Não admira, pois, que milhares de forasteiros ocorram, nesta ocasião, à cidade de Freamunde vinds de todo o Portugal e até de Espanha, sobretudo da vizinha Galiza...
Capão à Freamunde
A carne de capão sempre foi apontada como iguaria, habitual nos repastos e banquetes reais. Inúmeros historiadores e cronistas referem-na como podendo pedir meças em qualidade e requinte, à de muitas outras aves que iam à mesa do Rei, como a perdiz, o faisão ou a galinhola.
Foi provavelmente, a junção de três factores que levou à criação da receita Capão à Freamunde. Primeiro, as inegáveis qualidades gastronómicas da carne da ave. Segundo, o facto de o capão ser o "ex-libris" de Freamunde. Finalmente, a vontade de receber bem e sempre de braços abertos, aqueles que visitam a cidade de Freamunde.













Como diz a sabedoria popular...«Conceição de chuva, Luzia de sol...Conceição de sol, Luzia de chuva...»