
Inscrição da data da construção.

Inscrição da data da construção.
A Associação Cultural e Recreativa Pedaços de Nós desde há umas semanas a esta parte,tem vindo a colocar em palco,na Associação de Socorros Mútuos Freamundense, a revista "Freamunde de ontem e de hoje".Esta peça da autoria do saudoso Fernando Santos,feito por gente da nossa terra,a última vez que teve lugar foi no dia de Natal de 1951,já lá vão quase 56 anos...muito tempo!Na década de 1980,fez-se uma tentativa para a levar a palco,mas desistiu-se ao fim de alguns ensaios.Esta peça fala de coisas muito bonitas,fala-nos de varíadissimos acontecimentos e retrata um pouco a história de Freamunde.O texto é composto por parte da revista "Freamunde é coisa boa",a peça que foi representada no dia de Natal de 1951.Ontem fui assistir,mais uma vez, a este belo e jocoso espectáculo e,mais uma vez saí emocionado,saudoso e enriquecido...valeu a pena!Esta peça está agora mais enriquecida com a participação do Grupo Folclórico de Freamunde e Escola Infantil de Música.Este espectáculo tem nele envolvidas muitas pessoas,com algumas delas a viverem a sua primeira experiência teatral...de enaltecer.
Pensa-se que tudo radica na tradição da indústria de tamancaria e, sobretudo no contributo pessoal do Prof. Albino de Matos, ilustre pedagogo que sentindo necessidade de material didáctico para o curial exercício da sua tarefa educativa, se predispôs a criar ele próprio, para si e depois para todas as escolas do concelho e do país, as caixas métricas em madeira como os contadores, as medidas do sistema métrico, os sólidos geométricos e ainda carteiras, secretárias, mesas, armários, suportes para mapas e outras coisas, segundo o que era aconselhadopor os grandes pedagogos da época, por exemplo Maria Montessori, Froebel, etc. Este material viria depois a ser premiado na Feira do Porto (Palácio de Cristal) e no Rio de Janeiro. As duas fábricas haveriam de fundir-se, mais tarde, numa só que se tornou moderna e adoptou o anúncio "Temos imitadores, não temos concorrentes". Ocupava, em 1945, mais de 500 operários. 
Neste contexto não deixa de ser elucidativo o anúncio de "A Elisa-Fábrica a vapor de serração de madeiras de José Luiz Affonso, em Freamunde", no "Jornal de Paços de Ferreira" de 22 de Julho de 1899, o que prova a antiguidade do trabalho de madeira e "a vapor".
"Freamunde-Apontamentos para uma monografia"
É triste a situação decadente que chegaram estas duas fábricas, nomeadamente a Fábrica do Calvário, outrora um grande centro de emprego, hoje falida, abandonada,deteriorada e à venda!
Ora, se foi aqui,Freamunde, que verdadeiramente nasceu a indústria do mobiliário, que se fundaram as primeiras fábricas, dignas deste nome,é urgente congregar esforços para acordar deste perigoso sono e inexplicável indiferença...
Por último,como operário do ramo,não podia deixar de referenciar a fábrica da qual sou funcionário:Coelho e Martins Lda.O seu dono,José da Silva Coelho,mais conhecido por "Zé Grilo",natural da vizinha freguesia de Ferreira,aqui casou e fundou a sua fábrica em 16-05-1967.Começou com uma pequena oficina de maquetaria e, com um "tico-tico"de sua autoria, numa pequena arrecadação, e depressa se expandiu até ao que é hoje...Em Abril de 2001 efectuou-se a mudança para as actuais instalações..Em 16 de Maio passado comemorou-se o 40º aniversário,com uma festa,"comes e bebes" e entrega de uma salva de prata alusiva ao aniversário a todos os funcionários.
Bem haja "Zé Grilo".
Antigas instalações da "Coelho e Martins Lda".
A Revolução Francesa deixou as suas marcas e, em 1820, Portugal descontente com a situação política e económica, produz um movimento revolucionário que vai culminar com a Revolução Liberal de 1820 e a implantação do Liberalismo.A Família Real Portuguesa foi obrigada a fugir para o Brasil devido às invasões napoleónicas, e aí se encontrava desde 1808.O país era governado por uma Junta de Governo em nome do Rei D. João VI.A Revolução começou no Porto e rapidamente alastrou-se a Lisboa e ao resto do país.O exército saíu à rua em 24 de Agosto de 1820, e rapidamente se formou uma Junta Provisória, que em 1822 redigiu uma Constituição, a primeira em Portugal, essa Constituição definia que o poder legislativo pertencia às Cortes, eleitas por sufrágio universal e directo, o poder executivo era atribuido ao Rei e ao Governo, não podendo o Rei interferir com o funcionamento das Cortes, e muito menos suspendê-las ou dissolvê-las. As Cortes Constituíntes tinham, entretanto, exigido ao Rei D. João VI que regressa-se a Portugal, e este regressou em 1821. D. João VI jurou cumprir a Constituição que estava a ser elaborada. No entanto a implantação do Liberalismo em Portugal foi difícil. Em 1823 e 1824, D. Miguel, filho de D. João VI, faz dois golpes militares com vista à restauração do Absolutismo. Após a morte do Rei, em 1826, põem-se o problema da sucessão, visto que D. Pedro, o filho primogénito, tinha proclamado a independência do Brasil em 1822 e era na época Imperador do jovem país. Neste contexto, D. Pedro abdicou da coroa portuguesa a favor de sua filha, D. Maria, e combina o casamento desta com D. Miguel. Como D. Maria é ainda criança, D.Miguel governaria Portugal mas de acordo com a Carta Constitucional dada por D.Pedro. D.Miguel concordou mas, logo a seguir, proclama-se Rei absoluto e persegue todos os partidários do Liberalismo. D.Pedro regressa a Portugal e junta-se aos liberais para fazer valer os direitos de sua filha à coroa. Desencadeia-se a guerra civil entre liberais e absolutistas que dura dois anos vencendo definitivamente o Liberalismo.
A crise económica e financeira tinha provocado, quer na burguesia quer no operariado, um grande descontentamento contra os governos monárquicos e um rápido crescimento do Partido Republicano. Este descontentamento já vinha de longe e foi agravado com a cedência portuguesa perante o Ultimato Inglês no âmbito da partilha de África pelas potências europeias. Este descontentamento é aproveitado pelo Partido Republicano que tudo faz para levantar o orgulho nacional ferido e desacreditar a Monarquia e os governos monárquicos. O governo ditatorial de João Franco é a gota de água que conduz ao Regicídio de 1 de Fevereiro de 1908. O Rei D. Carlos e o Príncipe Real D.Luís Filipe são assassinados e D.Manuel II sobe ao trono. Dois anos depois, a 4 de Outubro de 1910, inicia-se a Revolução Republicana e, no dia seguinte, na varanda da Câmara Municipal de Lisboa é proclamada a República. Sob a presidência de Teófilo Braga, foi nomeado um governo provisório, que elaborou as leis do novo regime. Iniciava-se assim a 1ª República, que se prolongou até 1926. A Constituição de 1911 estabelecia a seguinte distribuição dos poderes políticos: o poder legislativo, que cabia ao Parlamento, o poder executivo, que cabia ao Presidente da República e ao governo, e o poder judicial, que cabia aos tribunais. As primeiras medidas republicanas consistiriam na Laicização do Estado, separação da Igreja do Estado, reformas no ensino e legislação de âmbito social.
Nos anos setenta do séc. XX, o Estado Novo estava desenquadrado internacionalmente.É evidente que o Salazarismo se tinha preparado para um longa sobrevivência. Pela censura, pela perseguição, prisão e o exílio calou muitas vozes discordantes. O medo e silêncio imperavam num país dito de "brandos costumes". O atraso económico e social mantinham Portugal estagnado e isolado. Por fim o regime atolou-se nos campos de África, preso numa guerra colonial desgastante e interminável. Dia-a-dia, o descontentamento alastrava, a oposição chamava a atenção internacional. E numa manhã de Abril, Portugal renasceria para a democracia e a liberdade. Voltaria a poder escolher livremente o seu destino. Um destino que lhe ensinaria a viver sem o Império, a dar indepêndencia ás suas colónias, a criar laços de fraternidade cultural e linguística com os novos países africanos, a reformar a comunidade da lusofonia espalhada pelo mundo e a aderir à Comunidade Europeia. Um grupo de quadros das Forças Armadas desencadeou no dia 16 de Março de 1974 uma marcha sobre Lisboa, acção que passou a ser conhecida pelo Movimento das Caldas da Rainha. Esboçado embora com contornos um tanto indefinidos,este acontecimento ficou nos anais como o prenúncio do 25 de Abril e não deixou de ser um sinal visível de descontentamento reinante entre os militares. O afastamento dos generais António de Spínola e Costa Gomes do Estado Maior General das Forças Armadas fez transbordar o copo de água. Os militares spinolistas detidos na prisão da Trafaria foram libertados ao fim de pouco mais de um mês e o Movimento dos Capitães escolhe o dia 25 de Abril para levar a cabo o plano de derrubar o regime ditatorial que dominava Portugal há quase meio século. Tudo começou com duas estações de rádio a transmitirem «E depois do adeus»,de Paulo de Carvalho, seguindo-se «Grândola Vila Morena» na voz de Zeca Afonso. Era a senha! As forças militares avançaram cumprindo as operações comandadas por Otelo Saraiva de Carvalho, na Pontinha. Era o fim do Estado Novo...
Em Freamunde,como no resto do país, após o 25 de Abril de 1974, e a partir dumas eleições democráticas(como ao que passaram a realizar-se após esta revolução), na década de 80, três freamundenses coabitariam na Assembleia da República, como deputados da nação, defendendo porém cores partidárias diferentes: Fernando Vasconcelos, pelo PSD, José Carlos Vasconcelos, pelo PRD e Raul Brito pelo PS. O pluralismo político vivenciado sempre em Freamunde reflectiu-se duma forma clara, naquele mandato, para expressar que aqui podem(ou podiam!) de forma racional e equilibrada, viver lado a lado a diferença, sob a égide da democracia. Um freamundense,embora não nascido em Freamunde, era filho de freamundenses, o Major Costa Martins, foi ministro do Trabalho logo após o 25 de Abril.
A Legião Portuguesa,organização paramilitar do Estado Novo, que tinha a missão de coordenar a defesa civil do território nacional, e que se caracterizou pela colaboração com a PIDE(Polícia Internacional de Defesa do Estado), na repressão às forças de oposição ao regime, tinha instalações em Freamunde, na antiga Casa Morgado, no Alto da Feira.
A Rua 25 de Abril e a antiga casa Morgado...

As partes deste extenso post que falam de Freamunde, foram retiradas do livro "Freamunde-Apontamentos para uma monografia"
A actividade e a discussão políticas vêm pois, de longe, prova do dinamismo dum povo que não pára...
Desculpem a extensão do post...foi inevitável!Entusiasmei-me...história é uma área que me fascina imenso.
Não é conhecido aos primeiros povos, qualquer interesse pela difusão da instrução, interessados que estavam na adaptação e desenvolvimento dos lugares e na defesa contra povos invasores e inimigos. Teria sido com a conversão ao cristianismo, por parte dos suevos que, como diz o Coronel Barreiros se passou a contar com uma "orientação favorável à cultura...onde o problema educacional passou a ter forma,orientação e finalidade". As escolas prosperaram junto de sés, mosteiros e igrejas e nestas uma das finalidades era formar sacristães que por sua vez se tornavam professores. As escolas paroquiais e as escolas de cavalaria tiveram papel importante na educação literária.
Já no séc. XV, Freamunde era a freguesia da Chã de Ferreira com a maior percentagem de pessoas a saberem ler e escrever. A partir duma certa altura, as exigências a nível institucional e cultural, passam a aumentar. Por exemplo, nos estatutos da Confraria de Santo António pode ler-se que só poderiam exercer lugares directivos, os que soubessem ler e escrever. Entre os irmãos da Confraria de S. Francisco ou Ordem Terceira, contavam-se vários professores das primeiras letras. A primeira escola primária em Freamunde surge em 1868. Tinha sido criada em Figueiró em 1837 e dali transferida. Por sua vez, a escola de Figueiró tinha sido criada para substituir a de Lustosa um ano após a formação do concelho. A primeira escola feminina foi criada em 1877. Apesar disso já havia um professor de instrução primária. Era a Junta de Freguesia quem, coadjuvado pelos professores procedia ao recenseamento das crianças, em idade escolar. No número de 16 de Janeiro de 1897 e na "Crónica de Freamunde" do Jornal de Paços de Ferreira, o correspondente "Sottam" solicita:"como habitante conhecedor das necessidades relativas à instrução na freguesia de Freamunde, a mais populosa, industrial e comercial de todo o concelho, aproveitamos a ocasião de lembrar e pedir à excmª. Câmara para conseguir a criação de um curso nocturno nesta localidade..."considerando a instrução
Em Fevereiro de 1935 a Nova Junta de Freguesia presidida pelo Dr. Alberto Cruz-"trata-se de arranjar terreno para a construção de outra escola". Era um terreno da firma Pereira e Barros Cª. Lda, que se vendia por dezasseis contos. À compra ajudou Joaquim de Brito e Miguel Nunes de Oliveira que deu quatro contos. Foi solicitado ao ministério uma comparticipação, através do freamundense Dr. João Neto, secretário do Ministro da Justiça, da altura. Apesar das obras terem estado paradas durante um tempo por falta de verbas, com a ajuda do Dr. António Portocarrero, António Matos Neto, Luis Leão de Moura, Manuel Pinto de Barros, José Assis Carneiro e José Maria Carneiro Leão e obra foi feita e inaugurada em dois de Outubro de 1937, quando foi inaugurada a Capela de Santo António,no novo local, e também a linha telefónica.
Povo germânico, também chamado Suebi ou Suevi.No séc. I DC, a maioria dos Suevos viviam à volta do rio Elba e Oder,Europa do Norte. Desalojados pelos Hunos, alguns Suevos atravessam o rio Reno e em 409 DC entraram na Hispania, assentando-se principalmente no noroeste da Peninsula Ibérica . Quando aqui afluem, fundam um reino com capital em Bracara Augusta(Braga), o qual, na sua máxima extensão, englobava a totalidade da província da Galécia e a parte norte da Lusitânia, até ao Tejo.Os Suevos adoptaram rapidamente a língua hispano-latina falada nas províncias que ocuparam, pelo que poucos vestígios linguísticos restam da sua presença.