domingo, 17 de março de 2013

150.000 Visitas - Obrigado!

Obrigado, aos que junto a mim, desde Maio de 2007, caminham para atingir este bonito número de visitas - 150.000! Este número, merece-o. Um número para não passar despercebido. Quero agradecer a todos os visitantes que, há quase 6 anos o visitam, e alguns, desde que este blogue existe.
Obrigado a todos!

sexta-feira, 15 de março de 2013

Sebastianas 1959

PROGRAMA
DIA 11 DE JULHO
Alvorada ruidosa com foguetes e morteiros. Anunciação das Festas por numeroso grupo de Zés Pereiras, Gigantones e Cabeçudos.
DIA 12 DE JULHO
ÀS 7 HORAS: Alvorada com estrondoso fogo.
ÀS 8 HORAS: Entrada da Marcial Banda de Freamunde.
ÀS 11 HORAS: Missa Solene e Festiva subindo ao pulpito o distinto orador sagrado Padre Alberto da Rocha Martins, de Barcelos. Esta Santa Missa, que será a grande instrumental, terá a colaboração da Banda Marcial de Freamunde.
ÀS 14 HORAS: Entrada da cnsagrada Banda de Música de Vila Verde, seguindo-se a subida aos respectivos coretos  destes dois anunciados conjuntos musicais que iniciarão os esperados concertos.
ÀS 19 HORAS: Saída da respeitável, magestosa e tradicional PROCISSÃO DE SÃO SEBASTIÃO na qual se incorporarão Confrarias, Irmandades, Pias Uniões, Associações Religiosas, encantadores grupos de anjos e querubins e deslumbrantes andores, precedida por um garboso grupo de Centuriões Romanos.
HÀS 22 HORAS: Início do surpreendente arraial nocturno, com fedricas iluminações do reputado decorador e ornamentador Snr. Pontes, da Póvoa de Varzim.
ÀS 22:30: Novos concertos musicais pelas Bandas Marcial de Freamunde e Vila Verde.
ÀS 24 HORAS: Sensacional certame de fogo de artíficio, pelos conhecidos pirotécnicos Pontes e Filho, de Raimonda.
ÀS 2 HORAS DA MADRUGADA: Encerramento deste festivo dia, com a tradicional e pitoresca corrida de uma bravíssima Vaca de Fogo.
DIA 13 DE JULHO
Durante o dia funcionará a habitual «Feira dos Treze» que se prevê de grande concorrência, dada a excepcional circunstância de ser enquadrada nas «Festas Sebastianas».
ÀS 15 HORAS: Diversos divertimentos e números desportivos a anunciar brevemente.
ÀS 16 HORAS: Concerto pela Banda Marcial de Freamunde.
ÀS 18 HORAS: Entrada dos Ranchos Folclóricos das freguesias circunvisinhas.
ÀS 21 HORAS: Início do Grandiosos Festival Regional, que terá lugar em recinto fechado e no qual colaboram muitos agrupamentos regionais.
ÀS 23 HORAS: Desfile do grandioso e já afamado CORTEJO LUMINOSO E ALEGÓRICO no qual se incorporarão todos os agrupamentos citados, e um numeroso Grupo de Gigantones e Cabeçudos, Banda Marcial de Freamunde, atroador Grupo de Zés Pereiras, conjuntos infantis de diversos significados e maravilhosos Carros Alegóricos.
ÀS 24 HORAS: Grandiosa sessão de fogo de artíficio pelos mesmos piroctécnicos.
As festas encerrarão com uma nova corrida de uma furiosa Vaca de Fogo.
Lindo e verdadeiramente delicioso este programa das sempre nossas Festas Sebastianas. Ontem, tal como hoje, continuam sempre belas e sempre nossas...

quarta-feira, 6 de março de 2013

Poesia de Freamundenses

UM PEDAÇO DE TODOS NÓS 

Elo a elo vai crescendo
Na bigorna da cultura
Esta corrente de gente
Dia a dia mais segura

Criada a partir da obra
Dum poeta popular
A corrente se desdobra
Para mais elos ganhar

Num desdobrar sempre atento
P'ra não perder horizontes
Fechando as portas ao vento
Mas abrindo suas fontes

Aos jovens e menos jovens
Que queiram participar
Dum projecto que é de todos
Numa abertura sem par

Nesta obra que abraçamos
E a que demos nossa voz
Pra levarmos em frente
Estes pedaços de nós.

JOSÉ LEAL - ALMA FREAMUNDENSE

sexta-feira, 1 de março de 2013

Augusto Ramos

ESCULTOR FORMADO NA ESCOLA DA VIDA
Desde cedo que a vocação de Augusto Ramos para a arte veio ao de cima. Na escola, ao invés de aprender as letras, transformava as lições da professora em desenhos. Em casa, todo o pedaço de madeira encontrado era usado para fazer pequenas esculturas. Expôs pela primeira vez aos 12 anos. E desde aí nunca mais parou. Hoje com 43 anos, os trabalhos de Augusto Ramos, são reconhecidos não só em Freamunde, de onde é natural, mas também no Vale do Sousa e em vários pontos do país e do mundo, onde figuram em colecções particulares. 
 "A escola da vida ensinou-me", afirma o freamundense. Muitas das coisas que hoje sabe, aprendeu-as sozinho ou nos trabalhos que foi desenvolvendo com o pai, nos restauros, ou como entalhador. Apesar de, mais tarde, ter ingressado num curso de três anos da APIMA - Associação Portuguesa das Indústrias de Mobiliário e Afins e ter passado pela Escola Artística Soares dos Reis, onde estudou restauro, entre outros. "Mas já sabia mais que os professores", diz modestamente. "Já levava muita bagagem e anos de experiência", sustenta o escultor. 
 Augusto Ramos nasceu e cresceu em Freamunde. Aí realizou o percurso escolar normal. Mas, conta, "quando estava na escola a professora ditava e eu desenhava. Transformava o que ela dizia em imagens. E hoje tenho muita dificuldade em escrever". O bichinho da arte e a vontade e a urgência em fazer obra, que ainda actualmente lhe fazem o sangue correr mais depressa, já existiam nessa altura. Aos 12 anos, expôs pela primeira vez, em Paços de Ferreira.
 E não parou mais. Autodidacta, continuou sempre a desenhar e, em casa, aproveitava restos de madeira para esculpir rostos. Até que, por volta dos 16 anos, e apesar da insistência do pai para ingressar numa escola ligada às artes, foi trabalhar e aprender a arte da talha. "Perante o que já sabia, a escola não me ia ensinar nada. Preferi a escola da vida", diz. Ficou na empresa por 10 anos e chegou a encarregado geral dos entalhadores, 22 no total. Durante esse período, trabalhava também com o pai, que, laborando na área da construção, fazia restauro de tectos de gesso. "Na construção aprende-se muito", afirma Augusto. Fez restauros em casas particulares e igrejas, ganhou a experiência que queria. 

Homenagem ao capão foi primeira grande obra

A primeira grande escultura da carreira está instalada em Freamunde. Chama-lhe carinhosamente de "a galinheira", embora o nome oficial seja "Monumento ao Capão e à Cidade de Freamunde". A obra foi inaugurada em 2001 e homenageia a tradição do capão. "Demorou três anos a fazer. Só a fazia à noite, porque durante o dia trabalhava", recorda o escultor. Seguiu-se uma outra escultura de grande porte, também instalada na terra que o viu nascer, a "Homenagem aos combatentes das ex-colónias", inaugurada em 2005.  
 A partir daí, sucederam-se várias obras, instaladas no concelho de Paços de Ferreira e concelhos vizinhos. Só na freguesia de Louredo estão três: o busto do Padre Armando; uma peça que homenageia os bombeiros de Paredes; e um anjo, com seis metros. Tem peças espalhadas por toda a Europa, em colecções particulares, e mesmo no Brasil. "Há uma Nossa Senhora de Fátima, oferecida a um particular, que acabou numa igreja brasileira e saiu na procissão de 13 de Maio, em Campinas, S. Paulo", diz Augusto Ramos. As exposições, às quais já perdeu a conta, realizaram-se sobretudo em concelhos do Vale do Sousa. 
 Pelo caminho, lançou-se em vários desafios. "A minha paixão é sempre ir experimentando fazer coisas novas", assume. Já trabalhou no edifício do Parlamento inglês, na mudança e restauro de uma ponte, que foi desmantelada e reconstruida, pedra a pedra, com a gravação de 130 nomes. Em França, em conjunto com escultores locais, trabalhou no restauro e construção de uma torre de castelo. Em Portugal, fez parte da equipa que restaurou a Capela das Almas, no Porto, e várias na região. 


Já terá feito cerca de duas mil peças

Augusto Ramos orgulha-se de trabalhar com os mais diversos materiais, desde o bronze, o granito, a madeira, o inox, o ferro e a fibra de vidro até às joias e pedras preciosas. "A dificuldade maior é escolher o material com que vou trabalhar", confessa. Já terá feito cerca de duas mil peças (calcula), tendo ganho vários prémios ligados ao desenho, escultura e pintura. 
 Nesta vida dedicada à arte, já fez também ilustrações de livros, caricaturas em jornais locais, cenários para teatro e pintou Vespas. É, desde há 25 anos, um dos elementos que faz os carros alegóricos das Sebastianas, sendo um dos sócios fundadores da Associação de Artes e Letras de Freamunde. 
 Entre as próximas grandes obras, estão uma homenagem à indústria do mobiliário e metalomecânica, com 12 metros e custo de cerca de 60 mil euros, que ficará instalada no concelho ainda este ano. Em curso está também a realização do monumento à família, que ficará junto às piscinas de Freamunde. "Umas árvores com cerca de 140 anos, que estavam junto à capela de São Francisco, em Freamunde, caíram com o temporal. Foram recolhidas e eu transformei-as numa escultura com cerca de sete metros", explica. 

Sonho é abrir escola para ensinar artes
 
O grande sonho de Augusto Ramos é abrir uma escola onde possa trabalhar com crianças com Trissomia 21. "Já tive uma experiência no INATEL do Porto. São crianças difíceis, mas com muito jeito para a pintura, gostei muito", conta. O escultor, diz ter a promessa de um espaço no parque urbano de Paços de Ferreira, que possa ser transformado numa oficina onde artistas locais possam expor, trabalhar e ensinar.
"É possível viver da arte em Portugal?", perguntamos. "Será possível, eu já vivi e hoje vivo só disto", afirma. "Mas uma peça que antes custava 30 mil hoje está a ser vendida por 10 mil", explica o artista, que defende que os municípios deviam apoiar mais a cultura.  

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Freamunde e a Casa do Infantado ( X )

No essencial, a defesa do Marquês de Vila Real escudava-se nesta passividade de acção, embora tivesse alguma dificuldade em camuflar a sua afeição a Castela, que entroncava num passado de serviços remunerados com relevantes mercês outorgadas pelos Áustrias. Procurava todavia neutralizar esse argumento ao justificar que ele próprio admitira a D. João IV que «até oito de Dezembro fora castelhano» e que o próprio Rei lhe respondera «que também o ano passado aqui, a Lisboa, viera obedecendo a El Rei de Castela». Depreende-se ainda que se considerava malquisto entre os próximos de D. João e que era o rol extenso de inimizades, que foi nomeado ao longo do processo, que explicava a trama que contra ele se movia.
Relativamente ao Duque de Caminha, seu filho, a questão era mais complexa, pois todos os testemunhos sugerem a repugnância pela conjura. Ele próprio o explicava: «além de ser fiel vassalo era proveito meu, pois em Portugal tinha títulos e minha mulher e casa». Não comunicara ao monarca, porém. Era essa a sua imperdoável culpa.
O factor do receio e da derrota de Portugal mobilizava as gentes catalizando descontentamentos e agravos individuais. No entanto a aferir pelos libelos acusatórios e sentenças a conspiração não convocara um número significativo de vontades, pois como vimos só dez foram sentenciados à pena capital. Foram também alvo de acusação, além do 7º Marquês de Vila Real o Conde de Armamar e D. Agostinho Manuel. Todos haviam sido ao braço secular pela Mesa da Consciência e Ordens, pelo que a sentença, a ser executada com brevidade, para além da parte relativa à apreensão de todos os bens patrimoniais e da Coroa, era «que morra morte cruel para sempre e seja degolado em teatro levantado e público». Esgotados os recursos e os embargos à sentença que os réus acionaram sem sucesso, agendou-se a sua execução para sexta-feira, dia 29 de Agosto, era com simbolismo, o dia da festa em que foi degolado São João Batista.

João Correia 
Jornal Gazeta de Paços de Ferreira