sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Há mais de 60 anos a vender capões

Maria Fernanda Alves da Costa tem 73 anos e mora em Covas, Lousada. Margarida Moreira de Bessa, natural da freguesia lousadense de Figueiras, mas uma mulher de Freamunde, é dez anos mais velha.
Ano para trás, ano para a frente, as duas são das vendedoras de capões mais antigas da tradicional Feira de Santa Luzia que, na sexta-feira da semana passada, voltou a levar milhares de pessoas a Freamunde. Habituadas a este ritual desde novas, Maria Fernanda e Margarida prometem abandonar a feira e os capões apenas quando a saúde já não lhes permitir fazer o percurso entre as suas casas e o centro de uma cidade onde, por estes dias, o capão é rei.
500 frangos capados

A história destas duas mulheres é semelhante e ter-se-á cruzado algumas vezes, sobretudo por esta altura do mês de Dezembro. "Vendo capões desde que eles custavam 150 e 200 escudos. Tinha dez anos e vinha com a minha mãe a pé desde Figueiras. Trazíamos cerca de 12 capões para vender na Feira de Santa Luzia", recorda Maria Fernanda Alves da Costa.

Nessa altura, Margarida Moreira de Bessa também já tinha o seu espaço para apregoar aquele que dizia ser o melhor capão de toda a feira. "Aos 18 anos casei e vim para Freamunde. Pouco depois experimentei capar os meus galos e correu bem. Nunca mais parei", refere.

Para esta octogenária não existe segredo nenhum: "faço um corte à beira do rabo do frango. Depois meto-o debaixo do braço e tiro os grãos. A seguir, coso o rasgo e, no fim, corto-lhe a crista e as barbas". Foi desta forma aparentemente simples que Margarida capou cerca de 500 frangos… só este ano. "As pessoas telefonam-me e eu lá vou capar. Já fui a Braga, Guimarães, Arcos de Valdevez ou Aveiro. Não levo dinheiro nenhum. As pessoas só têm de me vir buscar, dar-me o almoço e trazer-me a casa", garante.
Maria Fernanda Alves da Costa, mãe e avó, tem a mesma paixão pelos frangos que não chegaram a galos, mas nunca capou nenhum. "Tenho os dedos curtos e as mãos inchadas. Não consigo capar", explica. Mesmo assim, assegura que nunca faltou a uma Feira de Santa Luzia, na qual vende frangos capados por uma vizinha. Também os vende um pouco por todo o país. Desde Amarante a Lisboa, passando por Guimarães. "As pessoas ficam com o meu número de telefone e encomendam. Outras vêem o anúncio em minha casa e páram para comprar", diz.


50 euros é o preço "justo"

Em Julho, Maria Fernanda capou 82 frangos comprados em Março. Porém, nem todos chegaram a capões. Durante o processo de crescimento – que se alonga por sete, oito meses – 17 morreram devido àquilo que diz ser "uma operação delicada". "É normal morrerem assim tantos", complementa. 
Para a feira levou 21 capões, mas a meio da tarde só tinha vendido três. "O povo quer barato, mas eu prefiro vendê-los a um preço justo", sustenta. Preço justo que estipulou entre os 45 e os 50 euros e que, afiança, não pagará o trabalho tido com os bichos. "Não fazemos contas às horas que passamos em volta dos galos", avisa.

Na Feira de Santa Luzia os capões de Margarida Moreira de Bessa também estavam à venda por uma quantia a rondar os 50 euros, mas a mais velha capadora de Freamunde prefere fazer negócio com restaurantes e com quem a procura em casa. "Só trouxe dois capões para o concurso. Tirei muitas vezes o prémio, mas percebo que não possa ganhar sempre… os outros capadores começam a reclamar", afirma.

Com ou sem prémio, Margarida voltará à Feira de Santa Luzia enquanto as forças lhe permitirem. Terá ao seu lado Maria Fernanda, que com o pregão "vai um capão" tentará convencer os fregueses a comprar-lhe um frango que, por ter sido capado, tem um tamanho anormalmente grande para aquele tipo de bicho.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Teatro "Gandarela"

No ano em que se comemora o 50º aniversário do Grupo Teatral Freamundense, sobe ao palco a Opereta Popular "Gandarela". Opereta Popular em dois actos, da autoria de Fernando Santos - Edurisa, Filho,  que foi representada pelo GTF, pela primeira vez em 1963 e depois de dez em dez anos - 1973, 1983, 1993 e 2003. E agora, em 2013, regressa novamente aos palcos, esta peça que é "memória teatral de Freamunde".
Em baixo, montagem de fotografias dos ensaios da "Gandarela", retiradas do FACEBOOK do GTF, e em baixo a primeira representação em 1963.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Poesia de Freamundenses

 CONSOADA
Tambéu eu, pela vez primeira, um dia,
Era pequeno, ainda lembro bem,
Pus uma chanca no fogão, também,
Deitando-me, a seguir, com que alegria!

Eis que, finalmente, a manhã surgia.
Com que ansiedade eu esperava alguém.
Somente minha mãe e mais ninguém;
Pois só ela era a minha companhia.

Demorava-se. Então, fui eu buscar
A chanca, que, vazia, lá achei.
Corro ao seu leito para me queixar.

Já, sem vida, essa mãe eu encontrei.
A consoada, então, pus-me a pensar,
Fui eu, meu bom Jesus, que vo-la dei.
28 - 6 - 1954

Jaime Sousa - "Alma Freamundense - Poesia Colectiva"- Julho de 2004   


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Freamunde e a Casa do Infantado (XVII)

Como disse no início deste trabalho, a extinção da Casa do Infantado deu-se por decreto de 18 de Março de 1834, juntamente com a legislação governamental de 1834-1835, que extinguiu igualmente os conventos, nacionalizando os respectivos bens (enorme património fundiário que o Estado Liberal lançou no mercado) foi decisivo para a transformação estrutural da sociedade portuguesa, que, nos inícios da década de 1850, se podia considerar já consolidadamente liberal. Com efeito, só após os sobressaltos ocorridos nos anos 30 e 40 do século XIX e as experiências setembrista (1836-1842) e cabralista (1842-1851), é que o Portugal oitocentista encontrou a estabilidade possível, com o advento da Regeneração em Maio de 1851, estabilidade essa que estava a ser pedida como o pão para a boca.
Logo após em 1856, era Lisboa e grande parte do país, invadido por duas epidemias terríveis que causaram numerosas vítimas - a febre amarela e a cólera-mórbus - o Rei fez quando pôde a favor dos doentes, visitando os hospitais a socorrer e a animar os doentes. Mesmo assim continuou o desenvolvimento da Instrução e realizaram-se ainda melhoramentos importantes. Criaram-se muitas escolas e fundaram-se o Curso Superior de Letras e o Observatório Astronómico de Lisboa, foi ainda abolida a pena de morte, para os crimes civis; proibiram-se os trabalhos forçados na metrópele e a prisão perpétua; e aboliu-se também a escravatura em todas as terras de Portugal.
Foi ainda um período áureo nas Letras, com os brilhantes escritores: Almeida Garret, António Feliciano de Castilho, Oliveira Martins, João de Deus, Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós, Guerra Junqueiro, Antero de Quental, Pinheiro Chagas e tantos outros que deram a Portugal honra e prestígio. (Continua)
João Correia - "Freamunde e a Casa do Infantado" - Jornal Gazeta de Paços de Ferreira

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Plaina

É um lugar que se subdivide entre Freamunde e Figueiras. Trata-se duma zona aplanada, daí o nome.
Fernando Pessoa em o "O menino de sua mãe" diz "no plaino abandonado" com significado de planície, lugar plano.
 António Torres Correia - "Freamunde - Apontamentos para uma monografia"