quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Poesia de Freamundenses

A VIDA
A vida é uma rosa!
Bela, perfumada...mas com espinhos,
Nascendo num jardim
Ou entre cardos
A rosa é sempre bela!
Suas pétalas aveludadas
Exalam um perfume que a todos seduz.
Sejam brancas, rubras, vermelhas, amarelas
Qual delas as mais belas!
Mas os espinhos
Como são irritantes!
Ferem, provocam gotículas de sangue
Mas olhando a flor logo se esquece o seu caule.
A tua vida é como a rosa,
Podes nascer num palácio
Ou num casebre
Sejas branco, amarelo ou negro
Tens a tua beleza,
Também tens espinhos
Que podem marcar ou ferir
Mas está ao teu alcance, depende de ti
Conseguir com o perfume
Que exala do teu coração
Fazer esquecer as marcas
Que os espinhos tinham causado.
Aurora Bica - "Freamunde e o Sentimento Popular - Poesia" - 1987 

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Sebastianas ( I I )

 Andor finais de anos 1970, inícios de 1980
O facto destes festejos se efectuarem fora do dia atribuído ao Santo Mártir deve-se, segundo a lenda, a uma promessa feita, em tempos remotos, em altura de grande aflição para Freamunde, a braços com devastador cataclismo, que a história não a definir, mas que certamente seria a Guerra ou a Peste, pois para qualquer das duas a sua invocação era remédio. Ou porque o Verão era a época do ano mais propícia a...romarias?
Há um século, aproximadamente, eram habituais os festejos a S. Sebastião nas freguesias de Sanfins, Modelos, Arreigada, Carvalhosa, Meixomil e Freamunde.
Este tipo de realizações eram, e continuam a ser, sem dúvida, testemunhos da cultura de um povo e inequívocas manifestações populares.
Havia mesmo uma certa tendência para consagrar uma por freguesia, como festa religiosa local.
Porém, nesta povoação, em décadas não muito distantes, e porque há documentação precisa que nos permite afirmá-lo, chegaram a realizar-se, no decorrer do mesmo ano, treze (!) festejos, todos de carácter religioso com o profano à mistura.
É interessante, pois, apontar a grande propensão do freamundense para este tipo de eventos.
Dar a conhecê-los é prestar homenagem às suas origens sociais e culturais.
Freamunde, Terra, fez sempre das Festas ao Mártir o seu "ex-líbris".
Sem data regular, só em 1 de Abril de 1906, numa sessão ordinária da Junta da Paróquia, Henrique de Vasconcelos foi portador de uma proposta, assinada por vários requerentes da freguesia, já apreciada em 19 de Novembro de 1905, sendo definitivamente aceite, como dia certo e determinado, o segundo Domingo de Julho.
Já então o programa oficial das Festas pouco ou nada diferia, na sua verdadeira essência, do actual.
A romaria era da responsabilidade quase em exclusivo dos comissionados ou festeiros, gente da classe média/alta, que, face às precárias condições de vida do "povo", estrato social iletrado e menos considerado, arcavam com o custo e o esforço no cumprimento dos contratos.
 Saída da majestosa procissão da Igreja Matriz
Numa época de grande conflituosidade (primeira década do século XX), o poder político pouco ou nada manipulou directamente estas Festas. A comissão apenas tinha que entender-se com o Abade da freguesia, igualmente presidente da Junta da Paróquia. O resto dizia respeito ao Administrador do concelho.
Festa era sinómino de movimento, convívio, amizade, prazer, bulício...Como tal, os romeiros deslocavam-se a pé de todas as freguesias circunvizinhas, por incontáveis caminhos de regos e pó. Que interessava! Para lá do alegre divertimento, as jovens rurais, donzelas casadoiras, faces afogueadas - queriam lá saber da devoção! -, cuidadosamente preparadas pela mãe, com os melhores adornos - e duas irmãs para evitar qualquer ciúme, levavam vestidos iguais - dispunham-se em fila no adro do santuário, em lugares estratégicos, esperando com naturalidade a primeira tentativa dos seus admiradores. Por vezes resistiam e, impassíveis, levavam tempo a arrastar atrás de si os pretendentes - vestiam quase sempre "quinzena" (colete e calça de pano preto) - , que alternavam a gentileza com a ironia. Mas lá surgia o namoro que redundava, na maior parte das vezes, em casamento. Outros tempos!
Realizações de grande implantação popular, as Festas do Mártir quase não necessitavam de acções objectivamente dirigidas à sua promoção, tão fortes eram os atractivos, o entusiasmo, dfíceis de igualar, que quase naturalmente estimulavam e motivaram todos aqueles que directa ou indirectamente lhes davam continuidade.
O aproximar da festa, sempre precedida pelas novenas, era vivido com muita ansiedade, sobretudo pelos forasteiros, atraídos por um programa rico e pelo calor e hospitalidade dos freamundenses.
Alegria era coisa que não faltava para oferecer a quem nos visitava.
A principal rua, de S. Francisco ao Cruzeiro, toda em arcaria a balões venezianos, encontava-se enfeitada com mastros, festões, bandeiras, galhardetes...Milhares de "lumes" - tijelinhas cheias de barro com cebo, porque no princípio do século XX se usava pouco a cera - tornavam os espaços referidos, o largo da Igreja Matriz e a Praça do Mercado, vistosíssimos e encantadores.
Proprietários das residências senhoriais, repletas de familiares e amigos que visitavam Freamunde nestes dias festivos, adornavam-nas e iluminavam-nas caprichosamente durante as noites. As casas e muros eram branqueados com demão de cal.
As Festas eram, e são, necessárias também para unir e fortalecer as estruturas sociais da comunidade.
(continua)
Joaquim Pinto - "Sebastianas" - Julho de 2013

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Cerca

O seu nome deve significar cercadura. Era um lugar limítrofe, ali junto à Gandarela e ainda existe, como linha divisória em relação a Carvalhosa.
António Torres Correia - "Freamunde - Apontamentos para uma monografia" - 2005

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Freamunde e a Casa do Infantado (XVIII) conclusão


Para ficarmos com uma ideia da vastidão desta entidade dos segundos filhos dos reis de Portugal, nas vésperas do seu desaparecimento, bastaria recordar que dispunha de entre outros bens fundiários e rendimentos diversos, além de Freamunde, da cidade de Beja, Quinta de Queluz, Serpa, Moura, Vila do Chão da Couve, e sua comarca, Valença do Minho, Pinhel, e sua comarca, Vila Real e Lamas de Orelhão, em Trás-os-Montes, Aveiro, Canelas, Linhares, Fornos de Algodres, Egas, Dones, Vimioso, Bobadela da Beira, Pena Verde, Vila da Feira, Oliveira de Azeméis, Ovar, Macieira de Cambra, Castanheira do Vouga, Cortegaça e depois o vastíssimo priorado do Crato (Vila do Crato e sua comarca, Gáfete, Sertã, Amieira, Proença-a-Nova, Cardigos, Oleiros, Belver, Gavião, Tolosa, Carvoeiros). Nos seus domínios incluíam-se ainda várias lezírias do Tejo e Azurara, próximo de Vila do Conde. Além de rendimentos de vária origem (padroados em igrejas, tenças e comendas, avultavam os provenientes das saboarias do Reino, as «portagens» de Santarém e até os «alfinetes» do Porto...
Nas vésperas da sua extinção (como já foi verificado, por decreto de 18 de Março de 1834), as receitas da Sereníssima Casa do Infantado excediam os 217 contos anuais. Deste imenso conjunto, que seria incorporado nos Bens Nacionais e vendido depois, forma retirados os palácios de Queluz, da Bemposta, do Alfeite, de Samora Correia, de Caxias e de Monteira, aplicados para residência e recreio da Rainha Dona Maria II. (conclusão)
João Correia - "Freamunde e a Casa do Infantado" - Jornal Gazeta de Paços de Ferreira

domingo, 19 de janeiro de 2014

Inverno

O que começou por ser um belíssimo domingo - diga-se sem chuva. Chuva essa que não nos larga desde 13 de Dezembro de 2013 -, frio, é certo, mas belíssimo, transformou-se num típico dia de Inverno!  Estas imagens são o prenúncio de uma descarga de água, carregada de granizo, um fenómeno que esta semana, deixou a capital do país num caos absoluto.
Um fim-de-semana típico da estação que atravessamos. O Inverno no seu auge!...

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

"Gandarela" 2014


Para abrir o apetite a quem ainda não assistiu à peça, aqui fica um pequeno vídeo da peça de teatro "Gandarela" do passado dia 11 de Janeiro. Esta peça que é «memória teatral de Freamunde», original de Fernando Santos (Edurisa, Filho), estará em palco todos os sábados pelas 21.30h na Associação de Socorros Mútuos Freamundense.
Para quem gosta de teatro - esta eterna forma de expressão artística -, não pode perder este verdadeiro espectáculo...Quem o perder, só daqui a dez anos, é que poderá assistir novamente...

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

"Gandarela"

 Esta história que ides ver
É uma história bem singela
Que, sem verdadeira ser,
Bem podia acontecer,
Um dia, na Gandarela...
 " A arte, quando boa, é sempre entretenimento"
 SINOPSE
Acompanhando a onda de revivalismo que se está a verificar no teatro de todo o mundo, repõe-se a opereta "GANDARELA", primeira obra do Grupo Teatral Freamundense, peça de costumes populares, sem preocupações artísticas ou intelectuais, mas que há cinquenta anos constitui o seu maior êxito.
Sendo uma obra ainda com certos laivos de actualidade, a opereta "GANDARELA", é já um documento histórico de Freamunde. E, se politicamente corre o risco de poder ser considerada reaccionária - e até o é..., só se desculpando pela implacável desinformação praticada pelo governo salazarista da época em que foi escrita - , tem a virtude de documentar factos da vida freamundense que os mais novos desconhecem e não mais se verificarão:
Hoje já não há sardinheiras, nem tamanqueiros, nem tasqueiros, actividades que, há cinquenta anos, caracterizavam a nossa terra. O classismo e a diferenciação social, com o 25 de Abril, esbateram-se muito e hoje, nem Leigal é zona exclusiva dos "ricos", como então era considerada, nem a Gandarela significa "miséria" e menos educação...Não sei se ainda haverá quem recorra a "defumadouros", para alcançar os seus fins..,De qualquer modo, a luz eléctrica, agora acesa toda a noite - o que então não se verificava - muito terá limitado essa prática...A autoridade policial e administrativa deixou de poder contar com as figuras simpáticas, mas bizarras, do Regedor, dos cabos d'ordens e do administrador do concelho...
As festas Sebastianas eram sempre feitas com imensas dificuldades económicas e ninguém queria tomar conta delas. Na "marcha" e na "praça", Gandarela e Leigal apresentavam sempre os seus ranchos pseudo-folclóricos, numa competição que hoje não acontece..."A Banda da Pocariça", foi uma tentativa gorada de concorrência à Banda Cómico - Musical que Figueiró sempre apresentava com imensa graça...O cauteleiro Miguel, que aparece na peça, era uma figura típica e popular, com o seu estridente pregão anasalado e sempre a falar em redondilha rimada. Aquele fotógrafo também existiu: era o "à la minute" e chamava-se Floriano...O relógio da igreja, sempre avariado, passou anos sem ser composto...A estúpida prática do "mel", que consistia em molhar, nos dias das "Sebastianas", todos os que após a "vaca de fogo", não recolhiam a suas casas tinha sido proibida, tendo a Guarda Nacional Republicana aconselhado a junta de freguesia a esvasiar os tanques da praça nesses dias...
Por tudo isto a opereta "GANDARELA", oferece um interesse que cada vez mais se aviva com o decorrer dos anos. Achamos importante repô-la, mesmo não sendo este o tipo de teatro que mais pode interessar à nossa actividade futura. Mantivemos a encenação inicial, com todos os seus erros e as suas infantilidades...Só não podemos manter os mesmos actores, como o tinhamos feito há dez anos, porque o tempo não perdoa e deixa marcas em cada um de nós...Cantamos sem saber cantar...Fizemos pão-de-ló sem ovos...Oxalá vos saiba bem!
Cinquenta anos se foram!...Bons tempos, costuma dizer o proverbial saudosismo latino...Eu não estou de acordo. Eu acho que todos os tempos são bons, e que os de agora não são piores, nem melhores que os anteriores. Só que cinquenta anos se passaram, que há menos cinquenta anos para viver e não seriam maus podermos voltar atrás...
 "GANDARELA"
(por ordem de entrada em cena)
Aurora / Bruna Ribeiro | Sora Ana / Maria do Carmo Correia | Joaquim Tamanqueiro / Nelson Lopes | Tino / Jó Saia | Ti Zé / Vitorino Ribeiro | Sora Rita / Aurora Bica | Lopes Regedor / Alberto Felgueiras Leão | Chico Cabo d'Ordens / Francisco Graça | Dona Maria da Anunciação / Maria José Ribeiro | Luisinho / Ricardo Graça | Miquinhas / Aida Gomes | Cego / A. Macedo | Moça do cego / Francisca Balbino | 1ª Vendedeira / Mafalda Ribeiro | 2ª Vendedeira / Ana Leal | 3ª Vendedeira / Catarina Machado | 4ª Vendedeira / Helena Sousa | 1º Freguês / Helder Leão | 1ª Beata / Carla Bica | 2ª Beata / Adelaide Lima | 3ª Beata / Margarida Fernanda | 4ª Beata / Marisa Alves | 5ª Beata / Margarida Taipa | 1ª Rapariga / Eduarda Ribeiro | 2ª Rapariga / Margarida Lima | 1º Miúdo / Diogo Ribeiro | 1º Rapaz / Evaristo Campos | 2º Rapaz / Arménio Sousa | 3º Rapaz / José António Santos | Zé Maria / André Machado | Cauteleiro / Ricardo Machado | Fotógrafo / Arménio Ribeiro |
 FICHA TÉCNICA
Cenografia - Gaspar Leorne | Desenho de Luz - Pedro Lopes | Sonoplastia - Miguel Brito | Montagem - Paulo Ribeiro, Carlos Lemos, Paulo Carvalho, Gabriel Carvalho, Ricardo Machado | Cabelos e Maquilhagem - Albertina Valente, Fátima Moreira, Vitorino Ribeiro | Frente de Sala - Manuel Gomes, Serafim Nogueira | Contra Regra - Arménio Ribeiro | Direcção de Actores - Nelson Lopes, Vitorino Ribeiro | Encenação - Fernando Santos | Direcção de Produção - Arménio Ribeiro, Ricardo Graça.
 Uma peça do Povo e para o Povo: alegre, emotiva, simples, humana!!
Uma história de rara oportunidades, que podia ser a história de qualquer um de nós!
Um punhado de lindas canções, que vão andar na boca de toda a gente!