quarta-feira, 16 de março de 2016

Pedaços de Nós

ALGO DA RAQUELZINHA PANELEIRA

Raquelzinha Paneleira
esteja onde estiver,
era aqui à nossa beira
que gostávamos de a ter.

Foi a mulher mais poupada
e se calhar das mais duras
que passou cá nesta estrada
de todas as criaturas.

Um dia a gabar um genro
que era um homem franco e tenro,
dizia assim: Deu mo guarde

na terra como no céu,
é um santo que Deus me deu,
sabem que mais!: é um cobarde!

segunda-feira, 14 de março de 2016

Sebastianas: um amor maior

AS SEBASTIANAS SÃO O VERDADEIRO AMOR DE QUEM LÁ VIVE… Tudo é feito com amor, tudo é feito a pensar na TERRA NATAL, tudo é feito em prol de FREAMUNDE. É sem dúvida UM AMOR MAIOR...
As Sebastianas são as festas populares da cidade de Freamunde, no distrito do Porto, celebradas em honra do Mártir São Sebastião. É uma festa anual que decorre sempre no segundo fim de semana de julho.
As festas têm cada vez mais importância e dimensão, e contam já com mais de 110 anos de história. Nos últimos anos têm vindo a obter uma maior participação do público, sendo uma atração turística com mais de 120 mil visitantes.
Para quem é da “Terra” as Sebastianas são muito mais do que festas, é o elevar do orgulho Freamundense, é o enaltecer de uma cidade bairrista. Todo o enredo, toda a organização é diferente de qualquer outra festa. Em primeiro cabe a organização da mesma a um grupo de homens que vivam na “terra”. A comissão de festas, que organiza, é nomeada sempre pela anterior, sendo o nome dos festeiros anunciados na missa de festa de domingo.
As Sebastianas têm um vasto leque de atividades, desde os concertos de música, aos bombos, a marcha alegórica, as celebrações religiosas e fogo de artifício, sem esquecer a tradicional “Vaca de fogo”.
Tem uma noite de bombos, arruada livre com bombos tocados pelos locais e visitantes (sexta feira), e ainda uma concentração de grupos de bombos e desfile integrados na Marcha alegórica de segunda-feira. A marcha, que anteriormente era chamada de “Marcha Luminosa”, possui carros alegóricos, escolas de samba, animações e grupos de bombos. Os carros alegóricos são totalmente feitos em Freamunde, e por Freamundenses, mais propriamente por grupos de voluntários e amigos das festas.
O conceito Sagrado desta festa consiste na missa e na Procissão em honra de São Sebastião que decorre sempre ao domingo. Outra particularidade das Sebastianas é o tapete da procissão, muito típico, em fitas de madeira (aproveitadas das empresas de mobiliário da região) que são pintadas de várias cores, e resultam num extenso tapete, com vários motivos religiosos, espalhado por toda a cidade.
No que toca ao fogo de artifício, tudo é rigorosamente planeado e executado por empresas de pirotecnia. Uma das tradições mais apreciadas, tendo inclusive nascido o conceito pirotécnico de “final à Freamunde”. Para terminar cada noite, como é tradição, a “Vaca de fogo” encerra cada dia de festa (todos os dias). A “Vaca de fogo” não é nada mais, nada menos do que uma estrutura de ferro, com o formato de uma vaca, que é carregada por alguém, e que vai atirando matéria pirotécnica por onde passa.
Nestes dias Tudo pára…Freamunde pára… O trânsito pára… Todos os caminhos vão dar a Freamunde, só as Sebastianas importam! O impacto destas festas já é tão grande e está de tal forma em ascensão, que toda a REGIÃO conhece e não quer perder um único dia destas festas.
AS SEBASTIANAS SÃO O VERDADEIRO AMOR DE QUEM LÁ VIVE… Tudo é feito com amor, tudo é feito a pensar na TERRA NATAL, tudo é feito em prol de FREAMUNDE.
É sem dúvida UM AMOR MAIOR…
Aproveito para lhe deixar ainda o site das Sebastianas para que possa ver o programa deste ano e ainda o Twitter e a página do Facebook das festas para que receba todas as actualizações.

sexta-feira, 11 de março de 2016

quarta-feira, 9 de março de 2016

Banda de Freamunde ( XII )

A própria vereação local, num ofício enviado à neófita direcção - Acta da Junta de 10 de Março de 1935 -, propôs o arrolamento de todo o instrumental e material existente na Banda, adquirido por subscrição pública ou oferecido à mesma, para que, em qualquer altura, se pudesse destrinçar o que era propriedade da freguesia e o que pertencia aos músicos. Queriam tudo em pratos limpos.
Com o abandono de Eduardo Nobre Leitão, corria o ano de 1935 - agora sim, definitivamente, da regência da Banda -, o lugar foi ocupado pelo competente 1º sargento reformado, António Tavares da Silva Santos, ex-sub/chefe da extinta Banda da G. N. R. e da Banda do Regimento de Infantaria nº 8 de Braga, na altura considerada uma das melhores bandas militares do norte do país. Chegou a morar na casa de Jacinto Torres, na Feira, mais tarde pertença de Toninho Torres.
As bandas musicais iam proliferando por todo o lado. Eram a atracção principal dos arraiais, numa altura em que aumentava o gosto popular pela arte dos sons.
A "nossa", no dizer "insuspeito" dos cronistas, de tão afamada, de tão popular que era, não tinha mãos a medir, arrastando pequenas multidões entusiáticas.
O Estado Novo fazia muita propaganda com tudo o que "soasse" a música: bandas, ranchos folclóricos, serões para trabalhadores...Havia um programa cultural muito conciso. Daí, no repertório - onde até então, as "clássicas" eram o "prato forte" dos concertos -, abundaram as rapsódias. Era importante o povo..."distrair-se".
A época de 1935 foi preenchida com 61 contratos! A de 1936 não lhe ficou atrás.
Mas nem tudo eram rosas. Os dirigentes continuavam apreensivos com as dificuldades financeiras. Depois, pior que isso, havia o "orgulho ferido" de membros de certos clãs..., dos que se achavam donos e senhores da Banda..., dos que nunca gostaram que lhes pusessem "a pata em cima"..., dos que, achando-se "grandes", nunca se "agachavam".
Portanto, nem só de boas vontades o futuro da Banda poderia ganhar alicerces; havia quem não quisesse.
«Sabe» - esclareceu timidamente Alfredo "Cherina" -, « existia alguma rivalidade entre músicos de certas famílias...Precisavam de "colocar" os filhos ou outros protegidos no "plantel" e com os tais senhores da direcção a "mandar", nada feito. Percebe, não percebe! Eu, mais tarde, ainda tive sorte, compreende. Usei de uma ou outra "influência" e consegui "meter" os meus filhos, Maximino e José Maria, que logo passaram a arrancar silvos no clarinete e trompete, respectivamente. Por pouco tempo. Não lhes estava no sangue! Era natural, portanto, que, ao longo dos anos, filhos de músicos, músicos fossem. Mesmo com a Banda na crista da onda, as dificuldades a vencer eram muitas. Os ensaios sucediam-se a um ritmo regular. De acolá para aqui, de aqui para ali...Pedia-se a este, pedia-se àquele...Não tínhamos poiso certo para ensaiar. Até que, ainda em 1935, conseguiu-se contratar a casa dos herdeiros do Sr. Matos "Ferrador", pela quantia de 220$00 por ano, a principiar no dia 7 de Novembro.
Depois, com o decorre dos tempos, passamos por diversas "casas" de ensaio, em regime de empréstimo, nunca de aluguer porque o tempo era de "vacas magras". Excepção para uma situação ocorrida nos primórdios dos anos 40, em que contratamos um salão à senhora Marquinhas Cardoso pela quantia de 200$00 anuais. Olhe, tivemos que recorrer, de chapéu na mão, às boas vontades dos eternos amigos da Banda, daqueles que sentiam um certo apreço por uma associação que sempre havia dignificado a terra. Lembro-me de algumas: por exemplo, do salão por cima do talho do Vasco Dias; no Abílio da "Leocádia"; no palheiro do pai do Alexandrino "da Lama"; no Barbosa "da Gandarela"; na Rua do Comércio, em casa de Abílio Barros (frente e traseira); nos balneários de madeira do Campo do Carvalhal, debaixo do carvalho; na antiga casa da Junta, também na Rua do Comércio; num compartimento do edifício da actual sede do Clube de Pesca e Caça; por cima do Café Teles, onde ensaiam os miúdos da Escola Infantil; e, actualmente, nuns pré-fabricados junto aos bairros do Outeiro. Era assim. Parecíamos uns saltimbancos, sem eira nem beira.
JOAQUIM PINTO - "ASSOCIAÇÃO MUSICAL DE FREAMUNDE - 190 ANOS" - 2012

segunda-feira, 7 de março de 2016

Uma perspectiva

Uma perspectiva de Freamunde desde o Lugar do Calvário, num dia muito cinzento.

sexta-feira, 4 de março de 2016

São Salvador de Freamunde (conclusão)

  VIDA ECONÓMICA
Freamunde é seguramente a freguesia de maior relevo em todo o concelho. Uma Vila com perto de 6500 habitantes, que por si só representam 13.5% da população do mesmo.
A população activa passa dos 2300 residentes, cerca de 38% da população. Uma vez mais, os homens representam 71,5% dessa população activa.
 A AGRICULTURA
Pouco representa já em Freamunde. Cerca de 80 pessoas estão mais ou menos a ela ligadas (3,4%). Trabalham-se 160 explorações. Pequenas na maioria (60%), inferiores a 1 HA. A idade dos que trabalham na agricultura está acima dos 45 anos em 72% dos casos.
O regime de propriedade é na quase totalidade de posse familiar (92%), o que talvez explique que ainda exista agricultura na freguesia.
 A INDÚSTRIA
É muito significativa em Freamunde. Talvez que a conjugação da tradição de fabrico de mobiliário escolar com as serrações de madeira, um pouco por todo o concelho, esteja mesmo na origem da indústria actual.
Presentemente, no sector industrial trabalham cerca de 1800 freamundenses (77% da população activa). Aos homens correspondem também 77% dos postos de trabalho. No seu total, a indústria implantada em Freamunde representa mais de 15% do total do concelho.
 COMÉRCIO E SERVIÇOS
Estão também profundamente enraizados em Freamunde. Proporcionam 18% do total de emprego na freguesia, com quase 500 postos de trabalho. A divisão por sexos é aqui muito equilibrada. Os serviços de natureza social estão naturalmente bem representados, lado a lado com os que se originam nas actividades económicas.
Freamunde é uma freguesia bem equipada e servida. O nível de prestação é bom. O crescimento demográfico tem sido constante. A modernização é notória.
 PATRIMÓNIO CULTURAL
Do património a preservar notemos principalmente o Castro dos Mortórios, em Freamunde de Cima (estendendo-se até à freguesia de Covas), o conjunto edificado de Pessô, incluindo a Capela de Nossa Senhora das Dores (séc. XVIII), bem como a Capela de Nossa Senhora do Rosário (séc. XVIII).
"PAÇOS DE FERREIRA - HISTÓRIA PARA UM GUERREIRO" - 1994