segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Poesia de Freamundenses

CORRENTES QUE SE FUNDEM

Caminhas pela margem ininterrupta
Em busca de correntes que te escapam,
Por entre marés de nostalgia.

Navegas ao sabor de quantos sonhos
Outrora vividos, bem reais,
Procuras aquele mar vermelho em delírio
De onde tal como tu
Também eu esperava muito mais.

Embarquemos de novo de mãos dadas
E deixemos de sonhar a Primavera
Para de novo aportarmos neste cais
Onde como outrora uma tarefa nos espera.

Sem ceder nos princípios que norteiam
Esta luta que é de todos afinal
Naveguemos de mãos dadas coo o povo
E com ele defendamos Portugal.

JOSÉ LEAL - "ALMA FREAMUNDENSE - POESIA COLECTIVA" - JULHO DE 2004

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Em tons sépia

Uma imagem em tons sépia do coreto localizado no centro cívico de Freamunde. A sua construção, por iniciativa do Clube Recreativo Freamundense (fundado em 1926), é um exemplar existente no Jardim Arca d' Água, na cidade do Porto. A construção esteve a cargo de um empreeiteiro de Negrelos, de seu nome Garcia.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Coisas Minhas

A CAPELA DE FRADELOS
Desde menino que conhecia aquela capela, sem nunca lá ter entrado. De resto, não me lembro de a ter encontrado aberta, mais me parecendo uma propriedade particular do que um templo cristão. Se não fosse a sua torre sineira, dir-se-ia uma residência, modesta e recatada, com as suas cortinas rendadas nas janelas, sempre fechadas, o seu jardinzinho a rodeá-la, denotando evidentes sinais de carinhoso tratamento e asseio, defendido por um simpático muro com não menos simpático gradeamento e portão em ferro trabalhado, que nunca tinha visto aberto até ao dia em que, num descarado convite que aceitei, pela primeira vez se me apresentou escancarado.
Não sei quando, nem porquê, ali foi erigida a graciosa capela de Fradelos, nem em louvor de que santo, promessa ou devoção assenta a sua origem. Sei que sempre me habituei a vê-la naquele local, por onde eu passava a caminho de casa ou a caminho de inconfessáveis deambulações e actividades nocturnas que fazia com que a rua em que se encontrava fosse imprópria de ser nomeada junto de senhoras ou em locais de maior respeitabilidade...Na verdade, a rua de Guedes de Azevedo era, no tempo da minha juventude, juntamente com as ruas do Estevão, do Alferes Malheiro e a viela do Ferraz, os locais de perdição da cidade Invicta, onde o pecado tinha assentado arraiais à sombra de uma prostituição legalizada, que pagava licenças e taxas, estava sujeita a coimas, a fiscalizações e inspecções semanais e, se na altura já houvesse algum Cadilhe, cobraria IVA e andaria a estas horas aflita para compreender o IRS, o IRC, e todas as reformas fiscais com que o Governo nos brinda para nos facilitar a vida e defender os nossos interesses económicos...
Hoje tudo mudou: a cidade cresceu, a rua Sá da Bandeira estendeu-se, preguiçosamente, até à de Gonçalo Cristóvão e, para tal, prédios ruiram e outros - muito maiores e mais altos - se foram construindo, ocupando todos os espaços possíveis e despersonalizando artérias, como a de Guedes de Azevedo que, de escura, comprometida e quase sinistra, se cosmopolitizou e hoje fervilha de comércio e movimento. Só a simpática capelinha de Fradelos aguentou, modesta, o furacão do progresso e das demolições e ali se manteve, simples, calada e quase comprometida, verdadeira ilha da virtude e santidade perdida num avassalador mar de negócios, de interesses de todas as ordens e de um desenfreado e caótico trânsito, que lhe veio substituir as tristes Marias Madalenas, que a miséria lhe dera por vizinhas, sem que da troca resultasse grande compensação para a moral e a paz de espírito.
Quando por lá passei, há dias, na companhia da minha mulher, surpreendeu-me o portão escancarado e a meiga luz que do templo vinha através da porta, também aberta convidativamente, e decidimos entrar. Simpáticos passeios, entre pequenos canteiros à espera de uma Primavera que os alegre, guiaram nossos passos até ao interior do pequeno templo. Celebrava-se a Santa Missa naquele fim de tarde e duas surpresas nos aguardavam: a beleza e graciosa elegância do seu interior, com um altar-mor artística e ricamente entalhado e uma maravilhosa azulejaria nos laterais, e a figura do celebrante, distinto freamundense a quem, pela primeira vez, iria ouvir uma missa, devido à curiosidade a que o meu gosto pelas obras de arte me leva a fazer entrar em todas as igrejas: o Padre Leonel Barnabé Oliveira. Foram duas muito agradáveis surpresas: nunca imaginei um interior tão precioso e artístico e nunca pensei poder encontrar naquela casa uma cara amiga e conhecida. Tive a sensação de ter reconhecido, entre aquela meia dúzia de senhoras que ali se entregavam à devoção.Julgo mesmo que o padre Leonel alterou a sua homilia por nossa causa, quando se referiu à admiração que poderia causar a estranhos aquele templo, que nele entrassem, a alegre festa que daquela celebração faziam os tão poucos que ali se encontravam, como se enorme multidão fossem e em grande festividade estivessem. Com efeito o ambiente era, verdadeiramente, festivo e acolhedor e nele me senti calorosamente bem. Tão bem que até os cânticos daquelas poucas senhoras, tão comovedora e ingenuamente desafinados, me pareceram deverem ser assim e me soaram aos ouvidos divinamente. E, quando da saudação, uma delas se desloca do seu lugar, ainda afastado,e vem direita a mim, de mão estendida, para me saudar em Cristo, senti-me indigno daquela franqueza e comprometido por ali estar...Eu: uma montanha de pecados!...
Já cá fora, nem o ar frio da noite me despertou da sensação que trazia daquela minha velha amiga que, até ali, só conhecera pelo exterior. Inconscientemente um pé me descai do passeio e logo acordo com uma buzinadela e uma voz rude que me grita dentro de um carro:
- "Ó parolo! Vai para o passeio!..."
Nessa altura, já bem acordado, julgo que a montanha cresceu um pouco, pois devo ter voltado a pecar por pensamentos, palavras, actos, e - sobretudo - omissões...
FERNANDO SANTOS - "COISAS MINHAS"

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Gente da Nossa Terra

CANDEEIRO - MAXIMINO

Eis aqui o Candeeiro!...
Se o Freamunde ganhar,
vai cantar o dia inteiro
enquanto outro não chegar.

Se perde é tanta a tristeza,
que, enquanto a dor não passar,
ele senta-se a uma mesa
e bebe até a afogar.

É mesmo assim deste jeito
este homem de azul ao peito:
c'uma bandeira na mão

e um copinho na mente
põe a cantar toda a gente...
Freamunde é campeão!...

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Uma imagem

Uma imagem da Rua da Paz. Uma rua que homenageia valores universais, e é também um dos lemas de Freamunde: "Terra de Cultura, Trabalho e Paz".

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Feira dos Capões de outros tempos

Um belíssimo registo fotográfico da Feira dos Capões de outros tempos. Desconheço o ano desta feira que se realiza anualmente a 13 de Dezembro, no dia em que a liturgia católica venera Santa Luzia, a protectora da visão. Esta feira, cuja instituição oficial remonta a 3 de Outubro de 1719, por provisão D'El Rei D. João V, "rezestada na chancellaria Mor da Corte e Reino no livro de offícios a mercês a folhas quarenta e oito; em Lisboa occidental dois de Novembro de mil setecentos e dezanove (...)”.  Porém, alguns historiadores indicam-no como costume medieval, e de que há mesmo notícias em documentos do séc. XV, muito anterior, portanto, à provisão atrás citada. É  a feira em que o Capão é rei e senhor....
Fotografias gentilmente cedidas por Jorge Leão.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

A preto e branco

Uma imagem a preto e branco do monumento aos Combatentes do Ultramar, da autoria do freamundense Augusto Ramos. Um monumento que homenageia os heróis da "Guerra das Ex-Colónias".